Mazuli lança álbum de canções pop e românticas

A nova música brasileira procura um rosto, que talvez nunca tenha, já que a cultura do século 21 é multifacetada, consumida por nichos. No Recife (e Olinda), surgiu um coletivo de intérpretes e compositores talentoso que depois de amadurecido passou a fazer apresentações, nos principais teatros do Recife, como Reverbo. Foi mais acolhido no Rio, do que aqui, onde continua ignorado pelo Rádio e TV.

Juliano Holanda, Martins, Isadora Melo, Barros, Isabela Moraes, Almério (ambos surgidos em Caruaru), Flaíra Ferro, Igor de Carvalho, entre muitos outros, em comum, as canções bem estruturadas, letras elaboradas, arranjos requintados, trafegando na contramão do consumo musical da maioria dos brasileiros. Mas não é um conceito obrigatório para os que circulam neste universo.

O cantor e compositor recifense Mazuli, que se insere na turma da MPP – Moderna Música Pernambucana – lançou seu primeiro álbum, (que tem seu nome por título), inteiramente autoral (com parcerias). As letras seguem a temática de amores e desamores, pelo viés alegrias e queixumes, o que não é só atributo do brega. A canção mais melodramática da história da MPB é Atrás da Porta (1972), de Chico Buarque e Francis Hime. Mesmo que Mazuli incursionasse em amores mais desencontrados e dolorosos, ainda assim não se encaixa na prateleira do Braga pela forma como as canções são revestidas.

 A faixa Show de Truman (dele, Juliano Holanda, Inês Maia) é a mais bem resolvida do álbum, numa levada meio caboclinho, meio maracatu, meio funk. Eu e Você (Mazuli e Guilherme Barreto), com participação de Bruna Alimonda, é outro destaque (a melodia tem curiosa semelhança com Nel Blu Dipinto di Blu – Volare, de Domenico Modugno e Franco Migliaccio, um hit internacional em 1958).

Mazuli, o disco, é mais pop rock do que MPB, ele cita Odair José entre suas inspirações, mas se há, pouco transparece. Apenas em Pequeno Porte faz mesuras ao brega, porém na verdade a levada da canção vem dos rock nacional dos anos 60, a Jovem Guarda, que virou o brega dos anos 70.  (a foto da capa do álbum é de Luma Torres).

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