Eliane Elias com Chick Corea e Chucho Valdés

Há quarenta anos, a pianista paulista Eliane Elias foi para Nova Iorque estudar música na Juilliard School. Ao longo dos anos, com talento e bom entrosamento na cena do jazz nova-iorquino foi galgando degraus até chegar a um nível que poucos músicos brasileiros alcançaram no jazz. Seu mais recente álbum só ratifica este status. Mirror, Mirror (Candid Records).  Nos seus discos, desde 1995, ela tem tocado e cantado, mas é melhor pianista do que intérprete. Sua voz paira no “bom”, longe do “muito bom” de, por exemplo, Diana Krall.

Em Mirror, Mirror, um álbum instrumental, Eliane está mais que bem acompanhada, toca duetos dois gigantes dos teclados no jazz, o americano Chick Corea, e o cubano Chucho Valdés (ambos tocaram em Olinda, no festival Mimo, em 2014 e 2012, respectivamente). Influências assumidas de Eliane Elias, Corea e Valdés estiveram antes em palcos com a paulistana. Com o primeiro havia um desejo manifestado de gravarem um disco juntos. O último álbum apenas como pianista de Eliane Elias, Solos and Duets foi gravado com outro gigante do gênero, Herbie Hancock.

No texto de divulgação de Mirror, Mirror, há comentários de Eliane Elias sobre as gravações com Chick Corea: “Apesar de ele ser uma geração mais velha do que a minha, nossas influências foram parecidas; Bud Powell, Bill Evans, nós gravamos tributos a Evans. Também tocamos com os mesmos baixistas e bateristas e, claro, tivemos uma base de música erudita. Tocamos Mozart, Scarlatti, eu toquei Bach e Ravel. Estas influências em comum vieram à tona quando tocamos e se podia sentir nossas afinidades através da inventividade dos ritmos e harmonias“.

Quando Chick Corea faleceu, em fevereiro de 2021 (aos 79 anos, de câncer) ele e Eliane tinham gravado quatro duetos. A primeira opção para a pianista brasileira tocar o projeto foi Chucho Valdés, com quem comunga de muitas afinidades, e latinidade. Se encontraram em Miami para definir o repertório, e optaram por gravar uma canção espanhola duas mexicanas. Corazon Partio (Alejandro Sanz), Sabor a Mi (Alvaro Carrillo) e Esta Tarde Vi Llover (Armando Manzanero).

O álbum é aberto com Armando’s Rhumba, de Chick Corea, segue com alternando os parceiros no dueto. Com Chucho Valdés houve ensaios antes da gravação, com Chick Corea foram improvisos. Em ambos reflete o conceito para o qual aponta o título do disco, os pianistas com seus Steinways frente a frente, como que refletindo-se. Um mostrando o caminho ao outro e se encontrando mais em frente. Com Chick Corea o approach é mais jazz americano, com Valdés cruzam-se ritmos cubanos e brasileiros. Com ambos, Chick ou Chucho, o improviso e o lirismo percorrem o mesmo caminho O disco foi gravado em Nova Iorque, e produzido por Eliane Elias, Marc Johnson e Steve Rodby.

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