Tagore rearfima a força da melodia em Maya

Acabou o longo parto do quarto disco de Tagore, lançado nessa sexta-feira, 17,nas plataformas digitais, com o título de Maya (com selo Estelita). O álbum começou a ser gerado em 2017, logo depois da participação do artista no festival Psicodália (em Rio Negrinho, SC). Daí Tagore foi para São Paulo e passou a rascunhar as primeiras canções. A partir de 2018, as músicas e a cara do que seriam o álbum Maya foram sendo talhadas por Tagore e o produtor Pupillo Oliveira. Acabou sendo um disco com reflexos da pandemia, que impediu que o trabalho saísse em 2020.

Um disco de ares sofisticados mas ao mesmo tempo simples (mixagem de Leo D, e masterização por Felipe Tichauer). Tagore toca violão e guitarra, e gravou com João Cavalcanti (baixo), Arthur Dossa (guitarra), Benke Ferraz (da Boogarins, guitarra) e Pupillo (bateria), e Arthur Soares (guitarra em quatro faixas). Todas as faixas são assinadas por Tagore e João Cavalcanti, com uma exceção, Drama, que também é de Dinho Almeida (do Boogarins, que participa da faixa).

Um disco contido, com os synth cerzindo as canções sem se sobressair a elas, assim como os demais instrumentos, as guitarras também são discretas, criando um clima psicodélico de meados dos anos 60. Mas este não é um álbum psicodélico, e de certo surpreendente, porque Tagore e o parceiro não se prendem a nenhuma corrente ou tendência. Aqui ali ecoam sons que o influenciaram. Maya, que abre o disco tem uma levada rítmica que lembra o Pink Floyd de Breathe in the Air. Em Capricorniana, ressoa o Alceu Valença da fase Vivo! A música seguinte, Samba Coração é um iê-iê-iê romântico (com uma levada Samba pa ti, de Santana) poderia se encaixar num LP de Renato e seus Blue Caps. Mas qualquer certeza sobre os rumos do álbum, se modifica quando irrompe Colombina, um tecnopop desses pra tocar no rádio.

 A força de Maya está mesmo nas sua ótimas melodias, e nas letras sem pretensões de filosofias, reflexões profundas. Onde se aproxima mais disto é em Tatu: “Aí, Tatu/Tá tudo mundo louco/todo desmantelo é pouco”.  O regional também perpassa o álbum no baião, com matizes de tom Zé, Areias de Jeri: “Te procurei de São Paulo/às areias Jeri/chácara”. Sem bem que no texto de divulgação há divagações místicas quando Tagore esclarece o motivo do Maya:

“É um disco sobre a saudade, sobre a falta que uma pessoa pode fazer”, me explica o cantor e compositor pernambucano, remontando ao início do disco, composto num jorro criativo ainda em 2018. “A saudade é um sentimento potente”. Ele se inspirou no título em sânscrito do livro de 1999 de mesmo nome do norueguês Jostein Gaarder: “Ele fala sobre o conceito milenar indiano de Maya, que diz que habitamos um mundo de ilusões e precisamos nos concentrar em nós mesmos para ultrapassarmos esta camada de aparências”. Viaja também na faixa que fecha o álbum,

São dez faixas, bem amarradas, 37m39s, de duração, do álbum mais bem resolvido de Tagore, cuja carreira remonta a 2010. Estreou com disco com um EP Aldeia, depois, já com banda formada o álbum Movido a Vapor (2014) e Pineal (2016). Movido a Vapor o levou às páginas da Rolling Stone, como uma das revelações do ano no pop nacional.

 

 

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