The Specials estudando a canção de protesto

O grupo inglês The Specials surgiu em no final dos anos 70 com uma música que abraçava causas políticas e sociais, enfatizando o combate ao racismo (a banda tem formação multiracial). Ao longo dos anos foram muitas modificações na formação, mas The Specials não chegou a acabar, embora com hiatos sem gravar ou fazer turnês. Em 2019, com toda agitação da era Trump, voltou com um de seus álbuns mais engajados, Encore, com referências ao Black Lives Matter, ao recrudescimento do conservadorismo, enfim reflexos do mundo naquele ano
Com uma parada forçada pela pandemia, Lynval Golding, Horace Panter, Terry Hall (a trinca foi fundadora da banda em 1977) resolveram gravar um disco com canções de protesto americanas, entre spirituals, blues tradicionais e pinçadas do repertório de nomes como Big Bill Broonzy, Staple Singers, Talking Heads,  do canadense Leonard Cohen, ou Frank Zappa.
O disco  Protest Songs – 1924-2012 é o mais atípico da Specials, afastando-se dos ritmos jamaicanos, que é sua linha mestra musical desde o álbum de estreia, em 1979. Mas não completamente, abriram uma vaga para uma das mais conhecidas canções de protesto do século 20, Get Up Stand Up, de Bob Marley e Peter Tosh,  lançada pelos Wailers em 1973, e que fecha o disco, com uma versão lenta.

 O disco é iniciado com Freedom Highway, de 1965, gravada por The Staple Singers, e cantada em manifestos do Momento pelos Direitos Civis na época. A canção mais antiga é Ain’t Going To Let Nobody Turns Us Around, de 1924, da Dixie Jubilee Singers (provavelmente a canção é bem mais antiga). Black, Brown and White de Big Bill Broonzy, é de 1938. A mais recente é Fuck All Perfect People, de Chip Taylor. Cada música tem sua própria história. Trouble Every Day, de Frank Zappa, foi inspirada nos conflitos raciais de watts, em Los Angeles, em 1965. Enquanto Listening Wind, do Talking Heads, de 1980, é um libelo contra a política externa americana, quem a interpreta é Hanna Hu, cantora novata no grupo.

O álbum é uma espécie de “estudando a música de participação”, com uma pesquisa que selecionou 50 composições, reduzida a 30, e até chegar às doze que formam o repertório. Há o resgate de músicas e autores esquecido, feito Rod McKuen, autor de Soldiers That Want to Be Heroes, de 1963, regravada em 1971, quando a guerra do Vietnã tinha atingido uma escala não imaginada quando a música teve sua primeira gravação. Infelizmente, a canção de protesto voltou a ser necessária.

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