Lizzie Bravo, brasileira que gravou com os Beatles, morre no Rio aos 70 anos

A carioca Elizabeth Villas-Boas Bravo foi fissurada nos Beatles desde criança. Por causa da música Dizzy Miss Lizzie, adotou o “Lizzie”, fixou conhecida como Lizzie Bravo. É com este nome que consta nos créditos da primeira versão de Across the Universe, dos Beatles, em que fez backing vocal com outra garota, Gayleen Pease. Momentos que marcariam a vida de qualquer pessoa, como marcaram a de Lizzie, então com 16 anos. Mais do que isso. Ela seria sempre apontada e conhecida como a menina que gravou com os Beatles.

A menina que gravou com os Beatles teve sua morte anunciada nesta terça-feira, de causa não informada. Lizzie estava com 70 anos. Ela fez muita coisa na vida, gravou com uma infinidade de artistas, foi casada com Zé Rodrix (1947/2009), com quem teve a hoje atriz, e Marya Bravo. É Lizzie Bravo “a esperança de óculos”, da letra da canção Casa no Campo, de Zé Rodrix e Tavito (1948/2019), que se tornou um grande sucesso em 1972, na voz de Elis Regina.

Em 2016, depois de várias protelações, Lizzie Bravo finalmente lançou o livro Do Rio a Abbey Road, contando a convivência diária com os quatro Beatles, mais John e Paul, e as dezenas de fotos que ela e suas amigas que montavam guarda diante da gravadora da EMI para ver os a ídolos. Um livro publicado com o que arrecadou na venda antecipada, que não deu para pagar a publicação (o restante foi bancado por sua neta, que morava na Itália, e trabalhava no Cirque du Soleil).

A história da gravação de que Lizzie Bravo participou com os Beatles, em 4 de fevereiro de 1968 foi contada inúmeras vezes a fãs e jornalistas, foi até gravada, está num hoje muito raro LP promocional da EMI, Yeah Yeah Yeah – Tudo Começou Há 20 Anos Atrás (com o pleonasmo no título), celebração às duas décadas do lançamento de Love me Do. Ela estava com as amigas no estacionamento do estúdio, quando Paul McCartney apareceu. Precisava de um coro feminino, perguntou quem conseguia sustentar notas agudas. Lizzie, que havia estudando canto, disse que conseguia. A inglesa Gayleen Pease afirmou o mesmo. Assim, por acaso, entraram na história da banda.

 Numa das entrevistas que fiz com Lizzie, apontei a ironia do refrão de Across the Universe, “Nothing is gonna change my world” (“Nada irá mudar meu mundo”), e como a participação na música tinha mudado o mundo dela. A resposta dela: “Eu tinha 16 anos, a minha vida continuou igualzinha. eu via os beatles quase todos os dias entrando e saindo dos estúdios de Abbey Road desde fevereiro de 67. A ficha só veio cair muito mais tarde”.  

Perguntei como ela imaginava que seria sua vida se não tivesse participado do coro de uma canção dos Beatles: “Na época eu queria ser atriz, como minha mãe. Eu acho que teria seguido o mesmo caminho de ser vocalista, e estar sempre ligada com MPB, que é minha paixão maior” (na foto, Lizzie Bravo, de óculo, encontra John Lennon pela primeira vez)

2 comentários em “Lizzie Bravo, brasileira que gravou com os Beatles, morre no Rio aos 70 anos

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  1. Triste notícia, Teles. Conheci a Lizzie Bravo na sede da ARPA (Artistas e Produtores Associados), minha produtora, no Rio de Janeiro, em Botafogo, nos anos 70. Ela apareceu com o pessoal do Boca Livre, sempre narrando a gravação com os quatro cavaleiros do após calípso, no Abbey Road.

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