Crônica: Condenado a morte reclama da última refeição que lhe foi servida antes da execução

Entre os bregueços bizarros do ser humano, um dos mais bizarros é a tal da última ceia, a que tem direito o condenado (a) à pena de morte, coisinha que não pegou no Brasil, pelo menos oficialmente. Se pegasse, não seria pouco o que ia ter de gente querendo ir pro outro plano depois de uma feijoada completa, um chambaril caprichado, uma mão de vaca na pimenta, uma caldeirada. Como com brasileiro não há quem possa, talvez lhe fosse oferecida a opção entre a ceia final, ou a saideira derradeira. E aí, ele podia se dar ao luxo, de misturar vodca, tequila, cachaça, cerveja, vinho, pau do índio, sem perigo de ressaca.

Nos Estados Unidos, embora a pena de morte não evite que mau conduta pinte e borde fora da lei, continuam insistindo nela.  Cada estado com suas próprias normas. Na Flórida, por exemplo, a quem vai pra cadeira elétrica, na refeição final, não é permitido álcool e cigarro, e o repasto não pode custar mais do que 40 dólares. Na Louisiana, o coitado do condenado faz a refeição com o diretor da penitenciária, o que não deve ser muito agradável, nem pra um, nem pra outro.

O que se pede pra comer, antes de ir desta pra melhor, varia também com quem irá. De última ceia, tem-se os extremos. Um sujeito chamado David Leon Woods, executado em 2007, pediu apenas uma azeitona, com o caroço, que colocou no bolso da camisa. Para que no seu túmulo brotasse uma oliveira. Já Thomas J Grasso, cujo paletó foi fechado numa penitenciária do Oklahoma, em 1995,seu derradeiro jantar dava pra alimentar o povo que vive nas ruas do Recife: ordenou duas dúzias de mexilhões, duas dúzias de patolas de caranguejo, seis costelinhas, um cheeseburguer duplo da Burger King, dois milk-shakes de morango, meia torta de abóbora, morangos frescos, e uma lata de macarrão, da marca SpaghettiO, da Campbell’s, com almôndegas. Pelo visto tava querendo morrer empanzinado

 Veio tudo como pediu menos o espaguete, preparado na cozinha da prisão. O que o deixou indignado. Minutos antes de ser eletrocutado, reclamou que nunca mais faria suas refeições ali, e fez uma denúncia pública: “Não me serviram SpaghettiO, e sim espaguete comum. Quero que a imprensa saiba disto”. 

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