Vinil: explosão detonada por colecionadores

Neste ano da graça de 2021 o LP deve bater o CD em vendas, pela primeira vez desde 1991. Nos Estados Unidos, que são bons em números, em 2013 foram vendidos 13 milhões de unidades de LPs, em 2020 mais do que o dobro, 27 milhões de cópias. A paixão pelo LP está provocando um fenômeno no mercado, inimaginável uns poucos anos atrás: a abertura de lojas de discos, e o lucro extra das gravadoras, com relançamentos de LPs com música dos anos 60 ou 70, com precinhos nada camaradas.
Na realidade, o culto ao vinil nunca deixou de existir, o que não acontece em relação ao CD que, aliás, já começa a ser valorizado, com muito titulo raro tornado item de colecionador. Neste campo muita gente virou celebridade. É o caso do nova-iorquino Rutherford Chang, que possui 2.700 cópias do Álbum Branco dos Beatles, o disco mais repleto de singularidades da história da indústria fonográfica. A primeira edição inglesa é numerada, a edição mono tem faixa que soa diferente da tiragem estéreo, as capas também variam, com o nome do grupo, que é o nome real do Álbum em relevo, ou impresso, pela fala de um zero na numeração, ou até por um “c” a mais no título da faixa Rocky Racoon. Pois é, um erro de revisão pode ser motivo de  valorização para o colecionador. Para Rutheford Chang vale tudo, capa velha, rabiscada, encontrou ela compra. Fez da mania de colecionador uma forma de arte, com direito a exposição em museu de Nova Iorque.

O próprio Chang criou sua edição rara do Álbum Branco, intitulado Rutherford Chang, The Beatles – We Buy White Albums, do qual foram produzidas somente 800 cópias, cada uma custa em média 800 dólares. Pra excentricidade não há limites. O conteúdo de Álbum Branco revisitado é o registro da gravação de 100 Álbuns Brancos tocados ao mesmo tempo. No começo soam iguais, mas à medida que as agulhas vão deslizando uns LPs atrasam, outros adiantam, alguns emperram as agulhas. Dependendo do ponto de vista, uma obra de arte conceitual.  

CENSURA
No Brasil, a censura colaborou bastante para encarecer LP antigo. Há 50 anos, o álbum Stick Fingers, dos Rolling Stones foi liberado pelos censores, desde que fosse retirada a faixa Sister Morphine. Saiu sem a faixa, e tornou-se raridade, depois que o álbum foi relançado por aqui, sem mutilações. Outro exemplo é o LP Catch a Fire (1973), de Bob Marley and The Wailers. A capa, que tem Bob com um morrão fumegante entre os dedos, foi censurada no Brasil, e substituída por uma no formato de um isqueiro Zippo, cuja parte de cima pode ser levantada. Curiosamente, esta é a embalagem da primeira edição inglesa do LP, creditada a The Wailers. Quando disco passou a vender bem, a gravadora Island o relançou com foto de Bob Marley, e os Wailers como sua banda, o que levou Peter Tosh a sair pra carreira solo, mas aí é outra história.

O LP com a capa do isqueiro, edição brasileira, na loja Dinossauro Discos (loja de vinil na Siqueira Campos, próxima aos Correios, no Centro) custa 500 reais. Já o álbum em vinil, importado, com a foto de Marley, sai por 300. O Ave Sangria também tem uma edição rara do LP de estreia, de 1974. Com a proibição do samba-choro, Seu Valdir, a gravadora Continental relançou o álbum sem a faixa banida, numa tiragem pequena, e agora difícil de encontrar. São diferenciais assim que movimentam ainda mais um mercado cada vez mais movimentado.

4 comentários em “Vinil: explosão detonada por colecionadores

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  1. Hoje é inviável iniciar uma coleção de discos de vinil, além do preço abusivo não se encontra um toca discos ou qualquer outro equipamento de qualidade, já se foi a muito tempo quando no Brasil existiam equipamentos como Gradiente ou Polivox.

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