Generino, primeiro flautista do Quinteto Violado e da Banda de Pau e Corda, foi a surpresa na festa de 50 anos do QV

Na foto, pela ordem, Generino Luna e Sergio Andrade, da Banda de Pau e Corda, no foyer do Teatro de Santa Isabel, nessa quarta-feira, 20 de outubro, onde lancei o livro Lá Vem Os Violados (CEPE Editora), contando a trajetória de 50 anos do grupo, que apresentou um concerto especial para 200 convidados, seguindo os protocolos sanitários.
Quando fiz a primeira edição do livro, lançado pela Editora Bagaço, em 2012 (nos 40 anos da banda) procurei, em vão, por Generino Luna pra uma entrevista. Ele foi o flautista que tocou na primeira apresentação do Quinteto Violado, em Nova Jerusalém, em outubro de 1971. Foi também o primeiro flautista da Banda de Pau e Corda, que surgiu em 1972. Aliás, Generino foi um flautistas muito requisitado pelos grupos e intérpretes do Recife nos anos 60. É dele, por exemplo, a flauta que se escuta em Aquela Rosa (Carlos Fernando/Geraldo Azevedo), gravada por Teca Calazans, na Rozenblit, em 1967.

Enfim, o homem tem muitas histórias na musica pernambucana, numa época muito rica, com um movimento de MPB de esquerda, do tropicalismo local, do udigrudi, e do Armorial. Tinha muita vontade de entrevistá-lo, e costumava perguntar por ele às pessoas que o conheceram. Uns anos atrás, entrevistando Teca Calazans (nos anos 60 chamada de Terezinha), perguntei se ela tinha o contato de Generino. Teca, casualmente, respondeu: “Tenho, não acho que morreu”.

 A pergunta nem tinha a ver com nosso papo, que era sobre um disco que ela lançava, mas acabei a incluindo na matéria, ao citar o compacto de 1967, em que ele a acompanhou. A matéria foi publicada, e no mesmo dia recebo uma ligação na redação do jornal. Era de Generino: “José Teles, diga a Terezinha que quando ela precisava de mim pra tocar, eu tava vivo. Agora que ficou rica e mora em Paris, eu morri?” Deu tempo nem de eu dizer que queria muito falar com ele. Desligou o telefone.

No lançamento do meu livro, finalmente deu o ar de sua graça. Parou em frente à mesa, onde eu assinava os exemplares, e se apresentou: “Eu sou Generino Lula”. Uma ótima surpresa.
 (A foto foi reproduzida do insta da Banda de Pau e Corda).

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