Viagem de Beatles à Índia vira livro, doc, e trilha sonora

O interesse que ocidentais nutrem pela Índia certamente aconteceria se os Beatles não tivessem feito, em fevereiro de 1968, uma viagem àquele país em busca de iluminação da mente, com os ensinamentos de um guru que tornou célebre mundialmente, o Maharishi Maesh Yogi. Foi a mais badalada viagem de famosos à Índia, além dos quatro Beatles, suas mulheres, também embarcaram nesta, parte dos Beach Boys, Donovan, a atriz Mia Farrow e Prudence, sua irmã, além de Mal Evans e Peter Brown, e  equipe que trabalhava com o quarteto inglês.

Não foi uma estadia demorada, no ashram (mosteiro) do Maharishi Maesh Yogi, em Rishikeshi, no sopé do Himalaia. Ringo e Maureen só ficaram até março. Paul e Jane Asher até abril. John e George permaneceram mais alguns dias. George continuou procurando paz interior nos ensinamentos indianos, mas John Lennon chegou a denunciar o Maharashi como “picareta” numa entrevista a uma TV em Nova Iorque, um mês depois que voltou da Índia. Um dos motivos da desilusão com o guru da Meditação Transcendental foi ele ter dado em cima de Mia Farrow.

Mesmo assim, a viagem incensou a práticas indianas no ocidente, como a yoga, uso de incenso, trajes indianos, o rock incorporou cítaras e tablas e ragas à sua música, e a meditação transcendental disseminou-se mundo afora. Rishikeshi é uma espécie de santuário pop da Índia. Os Beatles ganharam em troca inspiração para compor várias canções, parte delas incluída no Álbum Branco.  O Mahareshi Maesh Yogi tornou a TM numa organização internacional. Ele faleceu em 2008, na Holanda. Estava com 90 anos.

 Esta epopéia indiana virou primeiro livro, de Ajoy Bose, Across the Universe – The Beatles and Índia, ponto de partida para um documentário produzido por um indo-britânico Reynold D’Silva, dirigido por Bose e Peter Compton. O doc  já foi premiado em quatro festivais importantes na Inglaterra, Grécia, Espanha e Bélgica. Naturalmente, num documentário sobre músicos não poderia faltar música. Nessa sexta-feira 29, foi lançado o álbum The Beatles and India, em que artistas indianos, ou de origem no país, são os intérpretes, entre outros, Vishal Dadlani, Kiss Nuka, Benny Dayal, Dhruv Ghanekar, Karsh Kale, Anoushka Shankar, Nikhil D’Souza, Soulmate, enquanto Benji Merrison, um dos mais importantes e requisitados autores de trilhas da Inglaterra fez a música incidental do filme, parte no estúdio 2 em Abbey Road, e parte na Hungria e na Índia.

São, portanto dois discos, um com reinterpretações de canções dos Beatles, que têm a ver com a Índia ou foram compostas lá. O outro com a música de Benji Merrison. O álbum de canções abre com Tomorrow Never Knows (de 1966), com Kiss Nuka, conhecida cantora e produtora indiana. A banda indiana Soulmate toca Gimme Some Truth, enquanto Anoushka Shankar (filha de Ravi Shankar) canta e toca com Karsh Kale (músico de origem indiana),  The Inner Light (George Harrison), uma das melhores faixas, até a citarrista Anoushka é mestra em música erudita indiana.  

Boa parte do repertório vem naturalmente do Álbum Branco, mas como se viu tem canções de trabalhos solos, e de antes da viagem do grupo à Índia. São 19 faixas, um álbum com vida própria além do doc. Foi lançado nos formatos digitais e físicos.    

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