Adele, campeã em vendagem de disco, não quer ser escutada no modo aleatório

A inglesa Adele só perde em falta de sal pra Juliette, uma paraibana que aparece em tudo que é comercial de TV. É muito insossa, apesar de ser atualmente a maior vendedora de discos do planeta, mais de 500 mil cópias de 30, seu álbum mais recente. Muitas cópias, numa época em que quase ninguém quer saber de disco físico. Admito que Adele cante bem, dicção perfeita. Mas sua música é anódina. Tudo demasiadamente certinho, feito paisagem pintada por pintor ruim.

Escutei 30, duas vezes, não ficou uma única canção na memória. Aliás, até os títulos do seus álbuns são enfadonhos. Cada um tem a idade de quando Adele começou a gravar ou lançou. Pelo ar saudável da moça, ela chega, no mínimo, ao álbum 90. Mas uma coisa que me agradou em Adele foi ela exigir que o Spotfy tirasse a opção shuffle do seu novo disco. O shuffle oferece ao ouvinte a escolha de escutar 30 aleatoriamente, sem seguir a ordem das faixas. O que é uma intromissão no trabalho do artista.

Uma das últimas tarefas na finalização de um disco é ordenar o repertório, encaixando as canções no conceito pensado pelo intérprete ou seu produtor.  O shuffle em álbuns como The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, ou Sgt Pepper’s, dos Beatles, por exemplo, dão uma descontinuidade ao fio condutor do roteiro. Por sinal, o shuffle é, em parte, responsável pela praga do single. Já que habituou os artistas a fornecerem canções no varejo, desabituando o consumidor de escutar um álbum como um todo. E isto não é bem uma novidade das plataformas de música em stream. Já vem de, pelo menos, a era do iPod, e afins.

O modo aleatório é bem destes novos tempos, do single, que não dá pra identificar qual o estilo ou extensão do talento do artista. A não ser nomes consagrados, quando o single pode até ser instigante. Um exemplo recente foi Anjos Tronchos, de Caetano Veloso, que deixou fãs do cantor ansiosos para ouvir o álbum Meu Coco. Mas a cultura do single já está estabelecida, e pouco tem a ver com o antigo single, ou disco compacto em vinil (chegou também ao CD), no inicio aqui chamado de “avulso”. Um chamariz para o LP, sacado do seu repertório. O single em CD foi mais usado como material de divulgação, distribuído com a imprensa, mas o alvo era o rádio. O single digital é simplesmente atirado num mar repleto deles, de artistas de todos os estilos e tamanhos. Muitos são os lançados, poucos os escolhidos.

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