Dia do Samba: Tá lá o corpo estendido no chão, e a porta-bandeira, em 1904, desvendou o crime

Hoje é Dia do Samba. Mas de quê samba? A história oficial do samba é resumida no seguinte. Em determinado ano, depois da abolição da escravatura no Brasil, negros trocaram a cidade da Bahia pelo Rio de Janeiro. Lá, no local conhecido como Pequena África, em tornos de matriarcas baianas, feito a célebre Tia Aciata, aqueles baianos arquitetaram um batuque que logo seria rotulado de samba. O primeiro deles Pelo Telefone, foi gravado, em 1917, por Baiano (Manuel Pedro dos Santos, de Santo Amaro da Purificação, 1870/1944). Donga e Mauro de Almeida, os autores.

Como cantou aquele rapaz no samba de Paulinho da Viola, “porém, ai, porém”, na edição de 19 de fevereiro de 1904, do Jornal do Recife, na seção policial, noticiam o assassinato, às 9 da noite, na terça-feira de carnaval,  de um sujeito chamado Manuel Pereira da Silva, vulgo Manuel Maião, que levou uma peixeirada, supostamente, desferida por um tal de João de Assis de Albuquerque Maranhão, vulgo Villa Real. O crime aconteceu na Rua da Jangada, no bairro de Afogados. O capitão Epiphanio de Oliveira, sub-delegado do 2º Distrito, no bairro de São José, conseguiu prender Villa Real, que negou terminantemente ter assassinado Manuel Maião.

 “Confessou, porém, que na terça-feira à noite, quando descia a ponte de Afogados, em companhia de João Pedro da Silva, conhecido por Joca de Izidro, diretor do samba Primeiro do Ano, e irmão de Manuel Maião, soube que este havia sido assassinado”. Os dois atribuíram o crime a elementos do Malunguinhos, agremiação rival do clube Cabeças Brancas, do qual participava o falecido Manuel Maião. Resolveram voltar para Afogados e se vingar. “Antes disso, porém, dirigiram-se à Rua Imperial, e deixaram na sede do Cabeças Brancas a mulher de nome Emília Celecina dos Prazeres, porta-bandeira do samba Primeiro do Ano, a quem eles acompanhavam”.

A história tem uma mudança de rumo. Villa Real e o irmão de Manuel Maião provocaram uma confusão, e o primeiro passou a faca num tal de Manoel Tavares, integrante do Malunguinhos. Confessava ele o episódio ao capitão, quando chegou um certo João Antonio de Lima, vulgo João Gato, que entregou Manuel Pedro de Oliveira, vulgo Manuel Guaiamum como o autor da fatal estocada em Maião. O capitão Epiphânio de Oliveira mandou que seus subordinados fossem em busca de Guaiamum . Preso, o acusado negou de pés juntos ter cometido o crime.

Agora voltando a transcrever a matéria: “Ontem depôs perante a subdelegacia do 2º Distrito, a porta-bandeira do samba Primeiro do Ano, Emília Celecina dos Prazeres, e disse que na terça-feira do carnaval, pouco depois de 9 horas da noite, encontrara Manuel Guaiamum seguindo apressadamente à ponte de Afogados. Detendo-lhe a marcha, perguntou se ouvira falar no assassinato de Manuel Maião. Ele conservou-se parado apenas alguns segundos, sem responder à sua arguição e continuou a andar. O capitão Epiphânio de Oliveira fez recolher, incomunicável, à Casa de Detenção Manuel Guaiamum”.

A porta-bandeira ajudou, pois, a resolver o crime, e a que fosse preso o verdadeiro culpado. Mas quem desvenda essa da agremiação de samba do povão do subúrbio recifense, com porta-bandeira e tudo, se o samba nasceu lá na Bahia, e cresceu no Rio de Janeiro? De que lado sambaria esse samba Primeiro do Ano? Quem desvendaria o mistério desse samba?

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