Banda de Pau e Corda e Quinteto Violado celebram 50 anos de música e amizade

“De cima deste palco um século vos contempla”, poderiam dizer à plateia os integrantes do Quinteto Violado e da Banda de Pau Corda. A primeira inteirou o meio século neste 2021, a segunda inteira oficialmente em 2022, contado da apresentação inaugural em dezembro de 1972. Juntas, as duas pegaram a estrada no início de 2020, começando por Minas Gerais. Não seria a primeira vez que dividiriam palco. Em 2018, o Quinteto Violado, a também contemporânea Som da Terra e Banda de Pau Corda participaram do projeto Encontro de Gigantes. No entanto Na Estrada seria a primeira turnê nacional que Quinteto Violado e Banda de Pau e Corda empreenderiam juntos.

 Apresentaram-se em Juiz de Fora e em Belo Horizonte. O show em BH, no Palácio das Artes, aconteceu em 14 de março. Dois dias depois, o Ministério da Saúde alertava para a necessidade de isolamento social, quarentena, uso de máscara, e demais medidas sanitárias para evitar o contágio. A epidemia tornou-se pandemia. A turnê, intitulada Na Estrada, foi cancelada. Será retomada, dois anos depois, em março de 2022, do mesmo local onde parou, o Palácio das Artes, em BH.

O espetáculo realizado na capital mineira tornou-se ponto de partida para a retomada do projeto. Virou disco que será lançado, nessa sexta-feira, 17 de dezembro, batizado de Na Estrada ao Vivo – Ao Vivo, com o prestigiado selo da Biscoito Fino, direção musical de Dudu Alves, do quinteto, Julio Barros e Alexandre Rangel da Banda de Pau e Corda. A mixagem e masterização assinadas por Júnior Evangelista, do Estúdio Carranca.

A Banda de Pau e  Corda tem o DNA do QV desde o início. A partir do nome, sugestão do baixista Toinho Alves, um dos fundadores do Quinteto Violado, sem o qual teria existido, mas provavelmente com outro  estilo. O grande sucesso nacional do quinteto influenciou jovens músicos pernambucanos a formarem bandas seguindo a sua estética. Basicamente, música nordestina em geral, e pernambucana, em particular, com tratamento acústico. Dessas, a mais bem sucedida foi a Banda de Pau e Corda, que estreou em disco, em 1973, pela RCA, com capa estampando uma tela de Lula Cardoso Ayres, e com direito a apresentação do sociólogo Gilberto Freyre na contracapa. A amizade entre os integrantes do quinteto e da banda chegou a ponto de seus integrantes dirigirem o bar Olho Nu, aberto pelo pessoal do Quinteto Violado na Conde da Boa Vista.

ENCONTRO

Numa noite de sexta-feira de 1972, o estudante Roberto Andrade, depois da faculdade, foi para um barzinho badalado na Conde da Boa Vista, o citado Olho Nu, localizado no nº 1106, um ponto movimentado da avenida, próximo ao Beco do Barato, do bar Mustang, e do restaurante Cantina Star. Nessa noite, Roberto conheceu integrantes do Quinteto Violado que, quando estavam no Recife, apresentavam pocket shows no Olho Nu, um local pequeno,  frequentado por artistas (daqui e de fora), intelectuais, gente ligada ao meio cultural da cidade. Aquela ida ao bar, mudaria o roteiro da vida de Roberto e seus irmãos, Walter e Sérgio Andrade: “Nesta época a gente participava de festivais, não tinha ainda uma banda. Resolvemos montar um grupo musical e o quinteto realmente foi uma inspiração muito grande. Ficamos grandes amigos, e a amizade continua até hoje. E celebramos com este show”, resume Sérgio Andrade. A Banda de Pau e Corda estreou no palco do Olho Nu, em 22 de dezembro de 1972, com a flauta de Generino Luna, que também foi o flautista do Quinteto Violado em seu primeiro show, um ano antes, em Nova Jerusalém.

REPERTÓRIO

O álbum traz nove faixas, que marcaram a obra dos dois grupos. A Banda de Pau e Corda, por exemplo, abre o repertório do disco com um pot-pourri formado por Lampião (Waltinho/Roberto Andrade), Têmpera, (Waltinho), Mestre Mundo (Luiz Bandeira/Julinho), Esperança (Waltinho/Sérgio Andrade) e Pipoca Moderna (Sebastião Biano/Caetano Veloso). A deixa para o quinteto emendar com outro pot-pourri, iniciado com Forró de Dominguinhos (Dominguinhos, que depois ganharia letra de Gilberto Gil e virou Lamento Sertanejo), Sete Meninas (Toinho Alves/Dominguinhos)

Seguem com canções autorais ou incorporadas ao repertório de ambos. O Quinteto com O Plantador (Geraldo Vandré/Hilton Accioly), Palavra Acesa (Fernando Filizola/José Chagas), ou um medley com Cavalo Marinho (adaptação de Marcelo Melo/Fernando Filizola/Luciano Pimentel) e Mundão (Fernando Filizola/Luciano Pimentel). A Banda de Pau e Corda com Esperança e Mestre Mundo ou, no final, com  A Briga do Cachorro com a Onça, clássicos dos ternos de pífanos.

Tanto o quinteto quanto a banda, continuam fiéis a estética inicial, uma nova vertente de tocar música nordestina, depurada com o tempo, acrescentando-se o aprimoramento da técnica instrumental, sobretudo a Banda de Pau e Corda, cujos integrantes mal tinha saído da adolescência quando começou. Enquanto a formação original do Quinteto Violado, com exceção do flautista Sando, então com 13 anos, era de músicos bastante experientes. Este registro de meio século de música e amizade não poderia ser melhor. Na Estrada ao Vivo é um disco irrepreensível.

A Banda de Corda é formada por Julio Rangel (viola e vocal), Zé Freire (viola e vocal),Yko Brasil (flauta),  Sergio Eduardo (contrabaixo), Alexandre Barros (bateria e vocal). O Quinteto Violado, por Marcelo Melo (voz violão e viola), Ciano Alves (flauta), Roberto Medeiros (bateria, percussão), Sandro (contrabaixo, voz), Dudu Alves (teclados e voz).

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