Duda Brack canta o aqui e o agora em Caco de Vidro

A gaúcha Duda Brack chegou ao segundo disco solo depois de seis anos da elogiada e arrojada estreia, com o álbum É, puro art rock. No recém-lançado Caco de Vidro, ela está menos experimental, mais engajada como feminista. Assim como em É, em Caco de Vidro, Duda confirma-se uma das ótimas vozes de sua geração (o que foi reafirmado em Primavera Nos Dentes, o grupo tributo aos Secos & Molhados, com Charles Gavin, Paulo Rafael, Pedro Coelho e Felipe Ventura).

Ela vai a 1991 e apanha Man (Itamar Assumpção/Alzira E), uma peça para encaixar no conceito do álbum: “Quem é que você pensa que é man/não me diz nem não nem me diz sim/vive me tratando assim”, linkada ao funk Macho Rey (Juliana Cortes/Ian Ramil), em que disseca um estereótipo do machão, que profere piadas de negro e gay, que infla o peito, e de terno vira um Superman. As guitarras tem vez nos discos de Duda Brack, mas muito mais nos ruídos, nos timbres. São (muito bem) tocadas por Gabriel Ventura que produz o disco com a cantora. Já conhecida de um single, em Ouro Lata (Duda Brack/Sekobass), com Ney Matogrosso e BaianaSystem, tem a guitarra de Beto Barreto (do BaianaSystem).

Da geração nascida anos 90, a gaúcha Duda Brack agasalha em suas influências, todas as tendências da música popular, sem preconceitos, funk, rock, pagode. O repertório abre com a voz do locutor que anuncia o início de A Hora do Brasil, o caquético programa que remonta a Era Vargas, a introdução para Esmigalhado (de Sandro Dornelles). Um disco que mescla temas pessoais com as pautas de agora. Saída Obrigatória (com Elísio Freitas), foca à miséria e degradação nas ruas dos Centros das grandes cidades.

Um disco instigante desde o jogo de palavras, e aliterações de Tu (parceria com Julia Vargas), a conversa coloquial e confessional de Carta Aberta, ou a citação de Bertolt Brecht na versão de Duda Brack para Sueño com Serpientes, do cubano Silvio Rodriguez, ao arranjo meio sinfônico de Contragolpe (parceria com Gui Fleming), Com participações de Lúcio Maia (Nação Zumbi), Hypnotic Brass Ensemble.

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