Robert Burns é o autor da canção que ninguém sabe cantar e o mundo todo canta

A música mais cantada na virada do ano no Brasil, Valsa da Despedida, completou em 2021, 80 anos da gravação, por Francisco Alves e Dalva de Oliveira. Foi lado B de um 78 rotações que traz Ciúme (Jalousie, de Jacob Gade, versão de Oswaldo Santiago). A Valsa da Despedida também é versão, de Alberto Ribeiro e Braguinha, de Farewell Song, do poeta escocês Robert Burns, que a compôs em 1788, em língua scot, com o título original de Auld Lang Syne.

Anos atrás, comprei uma compilação de Robert Burns, mais pelo uísque do que pela poesia. Ele é um grande poeta, aliás, o poeta nacional da Escócia. O livro era vendido numa caixinha, com uma garrafa de um quarto de uísque (acho que Passport). Não li biografia de Robert Burns, mas sendo poeta e escocês deveria entornar direitinho. Aliás, dizem que o precioso líquido contribuiu para sua morte precoce.

Auld Lang Syne é música para se cantar em coro com uma turma, não tem sentido cantá-la sozinho. A melodia é tradicional, não se sabe quem a compôs. Robert Burns colocou letra nela (e mesmo assim com alguns versos também de autoria ignorada). Esta foi uma das 40 canções tradicionais que Burns acrescentou ao Scot Musical Museum, parte de um projeto para preservar o cancioneiro popular escocês (já se importavam em preservar a cultura popular do país no século 18).

Auld Lang Synne foi pegando nos países de língua inglesa, tornou-se a preferida na virada do ano, e era conhecida como The Song That Nobody Knows, ou A Canção Que Ninguém Sabe, porque não se cantava a letra inteira. O que também acontece com a versão brasileira. As pessoas geralmente vão até o “Adeus amor/eu vou partir”, e param por aí.

A canção ganhou o mundo com a gravação em disco, feita em 1929, com a orquestra do canadense Gui Lombardo. Ela ficou como a característica musical do repertório do maestro, que a gravou mais duas vezes. Nos Estados Unidos popularizou-se com o título de Farewell Song, sempre assinada por Robert Burns, que não levou uma vida financeira folgada, chegou a trabalhar algum tempo na Jamaica, porque a vida não estava fácil em sua terra.  Burns faleceu em 1796, aos 37 anos, deixou muitas composições, e poemas, mas não usufruiu dos direitos autorais de suaobra.

Tivesse nascido cem anos mais tarde, teria enriquecido. Robert Burns foi maçom. Auld Lang Syne foi adotada pela maçonaria na comunidade britânica, que contribuiu para sua difusão em outros países. No final do século 19 já era cantada nas festas de final de ano, e em fim de períodos escolares (no Brasil é cantada nas festas de formatura de cadetes na Academia de Agulhas Negras). Foi uma das primeiras músicas gravadas por Emil Berliner, o inventor do gramofone, em 1890. Em 1877, era com Auld Lang Syne, que Graham Bell, mostrava como o seu telefone funcionava. Ao longo dos anos, Auld Lang Syne tornou-se uma das canções mais regravadas da história da música popular. Só nos EUA tem mais de 500 versões em disco, The Beach Boys, Elvis Presley, John Travolta com Olivia Newton John, Rod Stewart, B.B King, Jimi Hendrix e, claro, Andre Rieu, para citar uns poucos.

A Valsa da Despedida também deveria ser apelidada de A Música que Ninguém Sabe, portanto vai abaixo a letra completa:

Adeus amor

Eu vou partir

Ouço ao longe um clarim

Mas onde eu for irei sentir

Os teus passos junto a mim

Estando em luta

Estando a sós

Ouvirei a tua voz.

A noite brilha em teu olhar

A certeza me deu

De que ninguém pode afastar

O meu coração

Do seu.

Então na terra

Onde for

Viverá o nosso amor.

A luz que brilha em teus olhar

A certeza me deu

De que ninguém pode afastar

O meu coração

Do teu.

No céu na terra

Onde for

Viverá o nosso amor.

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