Borboleta não é ave, primeiro frevo gravado, completa cem anos de composto em 2022

Atenção pessoal da cultura, estadual e municipal, neste 2022 é aniversário de cem anos do que é considerado primeiro frevo gravado, Borboleta Não É Ave, de Nelson Ferreira, com parceria de JB. Diniz, lançada pelo Grupo de Pimentel, pela Casa Edison, pro Carnaval de 1923. A música foi composta para o Bloco Concórdia. No entanto, no início de fevereiro, de 1922, o jornal A Província dava uma notinha sobre o bloco Faz Que Olha, enfatizando que o maestro Nelson Ferreira também lhe ofereceu Borboleta Não É Ave. Confirmado pelo Jornal do Recife, no início de fevereiro: “Bloco Faz Que Olha – No próximo domingo esse simpatizado bloco pretende realizar seu primeiro ensaio com uma bem afinada orquestra de instrumentos de cordas, a qual executará numerosas marchas carnavalescas, entre as quais a da lavra do Sr.Nelson Ferreira Borboleta Não É Ave, que o mesmo ofereceu aos foliões do Faz Que Olha”  

Logo Borboleta Não É Ave estava com partituras sendo vendidas nas Casas Ribas. Da venda de partituras vinha boa parte da renda dos compositores. A música era uma adaptação de uma canção infantil portuguesa (assim como aconteceu com Vassourinhas), o que era muito comum à época. Borboleta Não É Ave não chegou a ser um grande sucesso. A música do maestro Nelson Ferreira, então dirigindo a orquestra do Cinema Moderno. Foi lançada em 1923 para a Casa Edison, a voz do Grupo de Pimentel era a de Manoel Pedro dos Santos, o lendário Baiano, mas não foi tanto sucesso assim no Carnaval, provavelmente porque já era conhecida desde o ano anterior. Além do que Nelson Ferreira presenteou a composição a dois blocos. Ela é bastante citada pelos jornais de então.

Para o Carnaval de 1922, ele trabalhava Cavalo do Cão Não é Reoplano, letra de Leônidas do Amaral, incluída inicialmente no repertório do Bloco das Flores. A letra era bem humorada, e empregava o falar estropiado, supostamente falado pelo matuto, ou gente de pouca leitura. “Mas quem foi que dixe/pra mostrar ser puritano/ que tomate é maxixe/cavalo do cão não é rioplano”. Rioplano, ou Reoplano é, claro, Aeroplano. A música, no entanto, somente seria gravada em 1960 (para o carnaval de 1961), no LP O Que Faltou e Você Pediu, de Claudionor Germano, todo com composições de Nelson Ferreira, um álbum que tampouco fez tanto sucesso, quando o anterior, de 1959 para o carnaval de 1960, O Que Eu Fiz e Você Gostou.

Aliás, a gravadora Rozenblit cometeu uma ousadia, em 1959, lançou dois LPs com o mesmo Claudionor Germano, cantando Nelson Ferreira, e Capiba. O projeto inicial seria apenas um álbum para homenagear Lourenço da Fonseca Barbosa, pelo aniversário de 25 anos do seu primeiro grande sucesso, É de Amargar, campeã do carnaval de 1934. Mas, dizem à boca pequena, que o maestro Nelson Ferreira não ia deixar a glória apenas para o seu rival, mesmo que bons amigos (com uma rusga aqui e acolá). Acabou sendo quatro álbuns, dois para Nelson, dois para Capiba, e um recorde para Claudionor Germano. Nunca, nenhum intérprete gravara dois LPs para o carnaval. A regra era um 78 rotações, muitas vezes dividido com outro intérprete.

2022 é ano de efemérides. Em 31 de dezembro será aniversário de 25 anos da morte de Capiba, e, no dia 9, completam-se 120 anos do nascimento de Nelson Ferreira.

Na foto, dos anos 30, pela ordem, Capiba, Fernando Lobo e Nelson Ferreira

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