O Tom do Vinicius é música para alimentar esperanças de uma luz no fim do túnel

Para começar bem o ano, nada melhor do que música da parceria Tom & Vinicius, que teriam sido apresentados, pelo jornalista Lúcio Rangel, no Vilarino, na região Central do Rio (que fechou na pandemia mas, nove meses depois, felizmente, reabriu). Tem quem diga que os dois já se conheciam. Não importa. O importante é que se conheceram, com um entrosamento só comparável à dobradinha Pelé e Coutinho no Santos.

O álbum O Tom do Vinícius Biscoito Fino) reúne uma trinca de ótimas vozes interpretando clássicos que os dois legaram à música brasileira. O disco aterrissou nessa sexta-feira, 7 de janeiro, nas plataformas de músicas digitais. Em 2007, o álbum teve lançamento independente, com tiragem logo esgotada. Esta é sua estreia em formato digital.

Eveline Hecker está mais que à vontade neste trabalho. Ela integrou a bando com que Jobim fazia turnês nos anos 90 (o primeiro e único show dele aqui no Recife aconteceu em julho de 1991). Georgiana de Moraes, é filha de Vinicius, tinha três anos quando a parceria Tom & Vinicius estreou, em 1956, com uma obra prima, a trilha do musical Orfeu do Carnaval. Por fim, Camilla Dias, dirigiu o espetáculo em que Marília Pêra cantou a música de Ary Barroso, fez produção em show com Miúcha, e trabalha com o Quarteto em Cy.

Um disco meio intimista, com Camilla Dias, ao piano, Marcelo Costa (percussão). Eveline Hecker e Georgeana de Moraes fazem a percussão na faixa 5 (Outra Vez). A produção é Gabriel Pinheiro (Sacha Amback produz a faixa bônus) As fotos de divulgação são de Cafi.

Georgiana de Moraes comentou sobre o disco, tão oportunamente reeditado:

 “O Tom do Vinícius é o nome do show que eu, Camila e Eveline organizamos no verão de 2006. Um show para cantar Tom e Vinicius. Voltei à infância ao chegar à casa de Eveline e me deparar com o CD Canção do Amor Demais em cima de uma mesinha. Era exatamente assim que eu via o então LP de Elizeth Cardoso. Essas foram as primeiras músicas que ouvi e aprendi e que ainda exercem um grande efeito sobre mim. Algumas estão no CD e outras são músicas que nos emocionam sempre que cantamos. Só voz, piano e percussão, simplesinho. Gabriel Pinheiro, nosso produtor, nos incentivou a gravar. De tão simples era bonito. Quando ouvimos, gostamos”. 

O conceito  do disco foi o dos espetáculos dos anos 60, que iam além de meros recitais de canções, eram também teatro. É assim que começa este álbum: “Uma música que seja como os belos harmônicos da natureza/uma música que seja com o som do ventos na cordualha do navio/aumentando gradativamente de tom/até atingir aquele que cria uma reta ascendente para o infinito”, versos de Vinicius, numa declamação curta na abertura, introdução para Canta, Canta, Mais.

A esta altura do campeonato é difícil descolar uma canção de Tom & Vinicius que não faça parte do inconsciente coletivo do povo deste país, mesmo que nunca tenha comprado um disco de bossa nova (não que Tom e Vinicius só tenham feito bossa), sabe alguma coisa dos dois. Mas aqui não estão apenas composições da época em que,  com João Gilberto, os dois deflagraram a bossa nova. Tomara, por exemplo, é assinada apenas por Vinicius, foi pinçada do álbum Como Dizia o Poeta – Música Nova, Vinicius, Marília, Toquinho (1971).

Aliás, na seleção de repertório aponta-se para o Vinicius autor de letra e música, com Medo de Amar (de 1958, do histórico LP Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso), e Teleco-Teco, lançado por Cyro Monteiro, no LP Sr. Samba, de 1961 (o samba de teleco-teco esteve em voga no inicio dos anos 60, uma espécie de bossa nova mais acelerada e dançante). Também uma amostra da obra de Tom sem parceiros, com Outra Vez e As Praias Desertas (ambas do citado Canção do Amor Demais, de Elizeth).

Garota de Ipanema, não poderia faltar num disco dedicado à parceria Tom/Vinicius, mas a garota aqui só teve direito a 45 segundo, uma vinheta, antes da faixa bônus Amor em Paz,  arranjada pelo tecladista Sacha Amback. Entre as 15 faixas, há até uma composição pouco conhecida, para os não especialistas na música da dupla, Mulher Sempre Mulher, da trilha de Orfeu do Carnaval.

O álbum traz Tom e Vinicius bem distribuídos e interpretados. Parece até que tudo está bem neste país abençoado por Deus (em algumas coisas, nesta música, por exemplo), e bonito por natureza (apesar dos pesares).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: