David Bowie continua um ilustre desconhecido no Brasil

O mundo tá cada vez mais doido. Um disco de Luiz Caldas de rock and roll (comentado numa postagem deste blog) me levou a David Bowie. Tem umas coisas assemelhadas a Bowie na música de Caldas, mais especificamente em Back Home, faixa do From Dawn to Dusk, cantado em inglês pelo pai da axé music. Coincidentemente, David Bowie completaria 75 anos neste dia 8 de janeiro. Bowie é dessas megaestrelas pop que nunca emplacaram um grande hit no Brasil. E não são poucos os astros do pop rock ignorados pela maioria dos compatriotas. Os Rolling Stones, sucesso mesmo pra valer, só com (I Can’t Get No) Satisfaction. Mesmo assim, a música fez mais sucesso com os Brazilian Bitles, Não tem jeito, o título da versão de Rossini Pinto.

Não me lembro de escutar David Bowie no rádio. Os Stones ainda tocavam, nas emissoras cujo slogan era “música, exclusivamente música. Um anúncio por intervalo”. Em Campina Grande era a Rádio Cariri, no Recife a Tamandaré. Tocavam músicas o dia inteiro, então eram obrigados a tocar de tudo. Tinha uns 13 anos, fui passar o São João num sítio da família da minha classe. A gente caminhava no meio de um milharal, alguém, não me recordo quem, possuía um radinho de pilhas. De repente, toca Ruby Tuesday, dos Stones, no meio do mato no interior da Paraíba. Soava estranho, mas fascinante aquele som, que eu nem sabia que se tratava dos Rolling Stones. Até hoje é uma das minhas canções preferidas do grupo.

Pin Ups é meu disco preferido de Bowie, o primeiro que comprei dele. Edição nacional da RCA. É o primeiro álbum de covers conceitual. Na oito, dez anos atrás era uma data.  Bowie fez uma compilação de canções de sucesso de bandas da época em que ele começou: The Kinks, Mojos, Easybeats, Pretty Things, Yardbirds, The Who, The Merseys, Them, e Pink Floyd. Os arranjos são muito próximos das versões originais, mas David Bowie imprime sua marca em cada faixa. Algumas versões ganham mais cor e brilho com ele, a exemplo, de Rosalyn, do Pretty Things, ou Friday on My Mind, do Australiano Easybeat (o autor da música, George Young, é irmão de Malcolm e Angus Young do AC/DC). Essa eu conhecia da versão dos Sunshines, grupo da Jovem Guarda, de 1968, batizada de Por Você Tudo  Faria.

A partir de Pinups comprei tudo que lançavam aqui de Bowie. Nos primeiros anos do CD, rolou a discografia de Bowie em leitura a laser. Foi quando ele aumentou o público no Brasil, não o suficiente para se tornar popular. Tocava em emissoras tipo 89 FM, algumas segmentadas de São Paulo ou Rio. Por aqui a única dele que tocou foi Starman, na versão do Nenhum de Nós, a meio surreal Astronauta de Mármore. Ele tocou duas vezes em Rio e São Paulo. A primeira vez, em 1990, na badalada turnê Sound + Vision. Boa parte da plateia viu o show apática. Bowie no Brasil tinha até fama, mas a sua música era (e ainda é) desconhecida.

Não foi só ele. No primeiro show de Bob Dylan no Rio, no Hollywood Rock, pelo menos metade da plateia debandou. Claro, ninguém conhecia nada do que Dylan cantava. Aliás, da forma como cantava, até os fãs de carteirinha tinham dificuldade para sacar que música era. Hurricane foi a única canção de Dylan que tocou bem por aqui (ma non troppo). Teve versões que passaram pelas paradas, a melhor delas, é Negro Amor, com uma letra de Caetano Veloso que se aproxima muito do original. A interpretação de Gal valoriza ainda mais a versão.

Sei que quando os discos de Bowie aportaram nas lojas em CD, me desfiz da coleção de LPs. Acho que ainda tenho o Pinups, um disco que me levou a caçar discos das bandas incluídas no álbum. A boa obra de arte é tem disso, te faz ir além dela, e descobrir outros sons, tims, e  toms e tais. Comprei o Pinups, junto com o Elis & Tom. Não sei qual escutei mais. Mas vejam até onde o disco de rock de Luiz Caldas me levou.

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