Getulio Cavalcanti: 80 anos, 60 de frevo, e um disco novo de sambas

“Falam tanto que o meu bloco está/dando adeus pra nunca mais voltar”, os versos iniciais de Último Regresso, clássico do frevo de bloco, que divide com Evocação, de Nelson Ferreira, a preferência dos chamados blocos líricos do carnaval recifense. O autor é Getúlio Cavalcanti, pernambucano de Camutanga, que nesse dia 10 de fevereiro completou 80 anos de vida, e 60 desde o primeiro disco, um 78 rotações, gravado em 1962, pela Rozenblit. Um sucesso que mudou o roteiro musical de Getúlio, até então conhecido como seresteiro. Com canções lentas e românticas, ele teve direito a um programa na TV Rádio Clube de Pernambuco, Uma Voz, Um Violão e Getúlio Cavalcanti, seu primeiro emprego com carteira assinada, como cantor e compositor.

Mas não dava para viver com salário de artista no Recife, e a profissão ainda era financeiramente insegura. Depois do segundo disco, em 1965, deu uma parada de dez anos. Só voltaria em 1975 com O Bom Sebastião, homenagem ao compositor Sebastião Lopes (1905/1974), quando retomou a carreira, participando dos festivais de música carnavalesca, mas ganhando o sustento em empregos convencionais. Foi comerciante, trabalhou vários anos na Arno, enquanto ia sendo reconhecido como um dos mais importantes compositores de frevo, embora enveredasse por outros gêneros, sobretudo o samba.

Ao longo dessas seis décadas Getúlio Cavalcanti acumulou 35 prêmios nos concursos de músicas carnavalescas que disputou. O último deles aconteceu em 2021, promovido pela Fundação Joaquim Nabuco, quando levou mais um primeiro lugar, com o frevo de bloco Fantasia. Mais uma vitória no mais peculiar dos estilos musicais brasileiros. Uma música triste para a festa supostamente mais alegre do país. De andamento lento, letras que mesclam lirismo com melancolia e nostalgia, com melodia em tons menores, o frevo de bloco teve seu formato definido por Nelson Ferreira, em Evocação (mais conhecida como Evocação nº1), lançada em 1956, para o carnaval de 1957.  

Em 1975, com o Bom Sebastião, Getúlio Cavalcanti iniciaria sua série de frevos de bloco que entraram para o rol de clássicos do carnaval pernambucano. Em 1981, inspirado nas dificuldades bloco Banhistas do Pina, compôs Último Regresso, que arrebatou um primeiro lugar no III Frevança. A música tornou-se obrigatória, não apenas no repertório dos blocos líricos, como também nos discos de Getúlio. Quando se deparam com um disco do compositor, as pessoas perguntam se tem Último Regresso. Assim a música faz parte de vários dos seus discos.

SAMBA

Ele chega aos 80 anos, lançando um disco novo, mas não de frevo. O título: O Samba Pernambucano de Getúlio Cavalcanti. O ritmo está na sua obra desde os tempos em que foi seresteiro. Ele foi gravado por nome como Luis Melodia, Martinho da Vila, Altemar Dutra, Noite Ilustrada e Moraes Moreira. Este último gravou O Bom Sebastião, como uma espécie de compensação. Quando o fervo canção Bloco do Prazer estourou país afora na voz de Gal Costa, observou-se a semelhança da sua melodia com a de O Bom Sebastião. O próprio Moraes concordou. E gravou a composição de Getúlio. Aliás, mais de uma vez, uma delas com Marisa Monte e Simone Moreno.

Com meia dúzia de sambas entre suas muitas composições. Resolveu compor mais meia dúzia para fazer um disco inteiramente dedicado ao gênero. Getúlio revela que quando gravou o primeiro frevo constatou que para ter disco na Rozenblit precisava fazer frevos: “Eles lançavam muito frevo, mas em outros gênero preferiam os intérpretes do Rio ou São Paulo”. O disco de sambas foi produzido por Jorge Simas, um craque do violão de 7 cordas, que toca no disco, com seu grupo. Getúlio canta sozinho em quase todas as faixas. A exceção é Responda Por Mim, interpretada por ele e a filha Alessandra Cavalcanti. Segundo ele porque a música foi feita para ser interpretada por uma cantora.  Getúlio está entusiasmado com essa incursão pelo samba, e quer pretende inscrevê-lo no Grammy. Pela suas performances em premiações, não será surpresa se ganhar este prêmio que ainda não tem. O álbum de sambas de Getúlio Cavalcanti está disponível nas plataformas de música para streaming.   

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