Stan Getz e Charlie Byrd gravaram há 60 anos o primeiro disco de jazz samba

O álbum Jazz Samba (Verve), do saxofonista Stan Getz e do guitarrista Charlie Byrd, lançado em 1962, foi o primeiro sucesso da bossa nova nova fora do Brasil. Levaria a muitos discos assemelhados nos EUA, e a um desdobramento da bossa nova no Brasil, com dezenas de trios, quartetos de bossa jazz. Getz e Byrd não foram, claro, pioneiros em aderir à bossa nova entre os nomes de peso do jazz. Em 1958, John Coltrane gravou Na Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso (com o título de Bahia). Em 1960, vários jazzmen americanos, patrocinados pelo Departamento de Estado Americano, se apresentaram no Brasil. Quase todos voltaram infectados pela bossa nova.

Charlie Byrd não apenas foi contaminado, como levou para os Estados a cepa mais forte dovírus musical, um LP de João Gilberto. Tocou o disco para Stan Getz, que contraiu o bossanovismo imediatamente. A afinidade entre Charlie Byrd com a bossa nova deveu-se também a forma como ele tocava violão e guitarra, com as pontas dos dedos, não com palheta, como a maioria dos guitarristas. Os músicos deslumbraram-se com a qualidade das canções do disco de João Gilberto. Sobretudo com as melodias complexas e assoviáveis. Para Byrd (falecido em 1999) Antonio Carlos Jobim foi o melhor compositor de música popular do planeta da segunda metade do século 20.

Decidiram gravar um álbum dedicado inteiramente à BN em geral, e a Jobim em especial. Com Ary Barroso tendo direito a duas canções no disco, É Luxo Só, e Baia (Na Baixa do Sapateiro). Todas foram pinçadas do repertório de João Gilberto, com exceção de Samba Dees Days (Charlie Byrd), Até O Pato (Jayme Silva/Neusa Teixeira), tido como o patinho feio da BN entrou no disco. O álbum seria fundamental para a assimilação da bossa pelos americanos, e para a própria carreira de Getz e Byrd. Lançada em compacto, Desafinado e Samba de Uma Nota Só, ambas de Jobim (a primeira com Newton Mendonça), a dupla esteve no topo das paradas dos EUA e Europa.  Stan Getz ganhou um Grammy por Desafinado.

Para celebrar os 60 anos do disco, o violonista e guitarrista americano Nate Najar gravou Jazz Samba Pra Sempre, com Desafinado como primeiro single. Aos 41 anos, Najar é um dos nomes consagrados na guitarra no jazz. Claramente influenciado por Charlie Byrd, tem a mesma pegada cool, e a mesma fissura pela bossa nova. O grupo com quem toca Nate Najar: Jeff Rupert (sax tenor), Herman Burney (baixo, o mesmo instrumento que Keter Betts tocou no álbum original), e Chuck Redd (bateria. Redd tocou no Charlie Byrd Trio).  Homenagem merecida para um discos básicos da bossa nova, e do século 20.

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