Zumba, o esquecido General do Frevo e do Maracatu

“José Gonçalves Junior, ou Zumba, o famoso compositor carnavalesco. Que ficou também conhecido como “General do Frevo”, está internado numa casa de saúde, esquecido por todos e praticamente na miséria. Zumba, que em carnavais passados, com suas músicas quentes, a tantos propiciou alegria, está só, cercado apenas por seus familiares.

Aposentado pela orquestra sinfônica do Recife, e percebendo um salário insignificante. Zumba, quando estava em forma , era visto quase todas as tardes, nas imediações do Leite, palestrando animadamente sobreo carnaval. Nunca reclamava de sua irrisória pensão. Reclamava, sim, contra a má qualidade das músicas, principalmente o iê-iê-iê. Na velhice conta apenas com a ajuda dos seus familiares que, praticamente o mantém.

O que mais Zumba desejava, no entanto, era o calor dos seus fãs, dos seus amigos, que no passado o elogiavam, incentivando-o a composições belíssimas. Como todo artista é sentimental, e ama a música sem ver seus aspectos comerciais. Tem no sangue o frevo, e dedicou sua vida ao frevo, tornando-se um general usando como arma a música, para fazer o povo delirar, pular, cantar e se integrar ao melhor carnaval do mundo.

ATUAÇÃO

José Gonçalves Junior nasceu em Timbaúba, mas viveu vários anos em Paudalho, de onde fugiu a pé. Queria ser marinheiro, e fez amizade com José Felipe que, na década de 20, era mestre da Escola de Aprendizes de Marinheiros. Com muito sacrifício acabou entrando na PRA-8, onde conheceu mestre Levino Ferreira, Felinho, Antônio Medeiros, Naziano e outros. Anos depois fundou a Orquestra da Rádio Clube, e depois a Orquestra Sinfônica de Pernambuco, hoje Orquestra Sinfônica do Recife (…)

Como compositor ganhou fama e ficou conhecido como General do Frevo, participando das orquestras das troças Transporte em Folia, Camelo de Ouro, e outros blocos que não voltam mais. O General do Frevo demonstrava seu amor ao carnaval dando inestimável parcela de contribuição para a grandiosidade da festa. Em 1935, compôs o maracatu Eu Sou do Forte e o lançou em sua casa, na Avenida Caxangá, com os componentes do Maracatu Cruzeiro do Forte, pelo Rádio Clube numa transmissão dirigira pelo locutor Abílio de Castro.

No segundo festival de frevo foi vencedor com a música Mestre José Felipe. Daí Zumba não parou mais e fez, entre outros, os seguintes frevos: Alô Limoeiro, Eu e Você, Vai na Marra, Na Vida É Assim, Recordações de Ceciliano, Saudades do Capitão Zuzinha, Perguntas e Respostas, Sai Dessa, Pra Você, Joãozinho e Seus Amigos , Nicinha, Testa de Ferro, Gordinho.

Recebeu apenas uma homenagem a Medalha do Mérito da Cidade do Recife, nada mais. Zumba deu tudo pelo carnaval e nunca exigiu nada. Hoje, numa casa de saúde, declara: “A tristeza não pode com quem é contente, e assim, mesmo doente, tento me divertir, relembrando carnavais passados”.  

O trecho acima foi assinado por Cristovam Pedrosa, em 10 de fevereiro de 1974, no Diário de Pernambuco, denunciando a situação crítica de um dos mais importantes compositores do estado, um dos que sedimentaram o frevo nos anos 30, ao lado de Levino Ferreira, Jones Johnson, Carnera, Capiba, Nelson Ferreira, Ulisses de Aquino, José Felipe e outros. Zumba morreria menos de um mês depois dessa matéria, em 6 de março. Continua totalmente esquecido em Pernambuco.

Na foto, seleção do frevo em 1960 (ou 1959, infelizmente, sem o nome do fotógrafo): Lourival Oliveira, Sebastião Lopes, Zumba, Nelson Ferreira, Claudionor Germano e Carnera.

2 comentários em “Zumba, o esquecido General do Frevo e do Maracatu

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  1. No auge e com muito dinheiro no bolso, aplaudido e assediado pelos foliões. Na velhice, na miséria, com um salário mínimo no bolso e esquecido pelos foliões. É a vida!!

    Interessante: a Lei ROUANET não foi criada para ajudar esses artistas populares e sem grana no bolso. Por que é que ela foi desviada para os artistas ricos e famosos e a esquerdopatia petista não diz nada?

    Por ande andam os defensores dos pobres e oprimidos?

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    1. quando zumba morreu não existia lei de incentivo. As leis de incentivos estão abertas para todos, até onde eu saiba não se aprovam projeto por categorias ou pensamento do artista. Já tive projeto aprovado e não sou de alas nem grupos. Além do mais o ministério publico fiscaliza com rigor a aplicação da grana.

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