Brasileiro não tem vez em prêmio de música latina

O Latin American Music Awards anunciou os indicados ao cobiçado prêmio. A cerimônia da edição 2022 acontece dia 21 de abril, em Las Vegas. A contraparte do American Music Awards premia, basicamente, artistas de língua espanhola com relevância nos EUA. Nesta edição o porto-riquenho Bad Bunny recebeu dez indicações. A Anitta, conhecida como a “Superstar Brasileira”, recebeu duas indicações: uma pelo vídeo de Girl From Rio e outra na categoria Artista social do Ano, na qual ela já ganhou, e pode ganhar novamente. Nesta categoria Anitta manda bem, fazer uma social é com ela e sua assessoria. Pablo Vittar está indicado na mesma categoria Artista Social, que tem mais a ver com badalação do que com música. Enquanto isso o rap brasileiro não tem um único nome no listão.

A assessoria de Anitta insiste em disseminar notinhas sobre o estouro nos EUA da canção Boys Don’t Cry. Não estourou. Passou despercebida. Anitta apareceu com Girl From Rio, em 2021, porque trouxe elementos brasileiros para a sua inteligente recauchutagem de Garota de Ipanema. Quando entra no campo do pop, ainda por cima cantando em inglês, suas chances de emplacar nos paradões da Billboard são poucas. Aliás, não apenas para ela, mas para mulheres em geral.

 A Billboard publicou nesta semana uma radiografia da atuação feminina no mercado latino de música pop em 2021. Elas estão por baixo. Embora dois dos cinco top álbuns latinos do ano foram da colombiana Karol G (KG0516), e da americana (filha de mexicanos) Selena (Ones), e Kali Uchis (americana, da família colombiana) e a espanhola Rosalia tiveram músicas campeãs em streaming. Mesmo com um desempenho melhor do que em 2020, as mulheres limitam-se a um percentual próximo de 20% do mercado latino de música.
O percentual cai drasticamente quando se contabilizam compositoras e produtoras. Nenhuma mulher figura entre os dez produtores de discos que emplacaram na parada Top 10 latina. Compositoras no ranking apenas as que escrevem pra si mesmas. De 49 nomes de compositores, apenas três mulheres são citadas: Karol G (na foto que ilustra a postagem) Kali Uchis e a mexicana Julieta Venegas.
Nas duas paradas mais importantes compilada pela Billboard, bíblia do mercado musical americano, o Top Latin  Album Charts e no Hot Latin Songs Charts, apenas 15 de 293 canções são de cantoras.
Os analistas da Billboard mostram o resultado mas não informam o diagnóstico, nem o motivo do resultado desfavorável às mulheres.
BRASIL
Quando se reporta à música latina, a Billboard ignora a musica brasileira (a superstar  Anitta, Iza e outras do pop nacional quase não existem pro revistão). Mas no Brasil as mulheres estão em situação mais confortável, pau a pau com os marmanjos em números nas plataformas digitais e em vendas. Isto como intérpretes. Aumentou-se muito a quantidade de compositoras.  Na produção, porém, continuam poucas. E neste caso tem muito de cultural. Na era do rádio as cantoras, a partir dos anos 40, suplantaram os marmanjos, mas como intérpretes. Com a bossa nova, quando os compositores passaram a também cantar, o número de mulheres mirrou. Mais ainda com a geração dos festivais, quando o autores assumiram-se definitivamente como intérpretes, disputando o mercado com as cantoras. Nos célebres festivais de MPB dos anos 60, o papel da mulher, com exceções feito a então iniciante Joyce Moreno, era o de defender a música composta por homens. No dito revolucionário tropicalismo, de compositora apenas a quase adolescente Rita Lee.
Nos atuais tempos pandêmicos, de conflitos, há bem mais compositoras, mas ainda pouquíssimas produtoras. O que elas estão esperando para invadir os estúdios?


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