C&G – Pra não dizer que não falei de guerra

Torcendo para que esta guerra na Europa não descambe pra generalização, aconteça a Terceira Guerra Mundial, e o Brasil mande tropas pro conflito. A última vez em que entramos numa guerra da gente mesmo foi na do Paraguai (da gente, mas com Uruguai e Argentina). Luiz Gonzaga, que passou nove anos no Exército, dizia que isto aqui era uma maravilha pra se fazer revolução. Participou de umas três e nunca disparou um único tiro. Pelos nossos antecedentes bélicos, seria conveniente contratar um instrutor americano pra dar instruções aos nossos soldados, pouco afeitos a batalhas, enquanto o americano vive batalhando pelo mundo afora.

 E por pouco não atiram na gente. No meio da Revolução paulista de 1924, conhecida como “Isidoro”, nome do general que a liderou, o major Filigônio de Carvalho, no interior paulista, comandou uma revolução paroquial, indignado com os Estados Unidos, pela execução dos italianos Sacco & Vanzetti.  Major Filigônio prendeu as autoridades do lugar, e obrigou o vigário a rezar missa pelas almas dos executados. Em seguida, notificou por telegrama seus superiores na capital, cientificando-os de sua desaprovação ao governo do presidente americano Calvin Coolidge, (que certamente perdeu o sono por causa do major Filigônio).

Na revolução de 32, um major chamado Marcelino inventou o MMM, ou seja, Morteiro Major Marcelino. No dia em que o major Marcelino  fez a primeira demonstração do morteiro 3M, este se provou de uma letalidade irretocável. Ao ser disparado, matou o Major Marcelino, um general e vários oficiais que se encontravam próximos. Como escreveu Carlos Heitor Cony, no livro Quem Matou Vargas (de onde pincei o episódio do morteiro mortal): ‘nas revoluções no Brasil há poucos tiros e muitas fotografias’.

Mas esta história de guerra me faz lembrar de outra. Um país pequeno da América Central tava numa situação de dar dó. Até os ricos passavam fome. Os militares se reuniram pra encontrar uma solução. Um dos generalíssimos sugeriu que declarassem guerra aos Estados Unidos. Perdiam a guerra, o país era anexado ao território americano, e os problemas acabavam-se. Um general não concordou e questionou: ‘Tudo bem. Mas tem um porém. E se a gente ganhar a guerra?”

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