Duo Gismonti – Vasconcelos para lembrar os seis anos sem Naná

Neste nove de março de 2022, completam-se seis anos da morte de Naná Vasconcelos, que a grande maioria dos pernambucanos acha que o que fez se resume a reunir várias nações de maracatu de baque virado e, com elas, abrir o Carnaval do Recife. Só isto seria um feito admirável. As nações não eram muito chegadas, cada qual tem sua origem e seu baque. Naná conseguiu conciliar divergências, administrar vaidades e fazer convergir as peculiaridades para a Praça do Marco Zero, os muitos baques formando um baque único e poderoso.

Mas desde que saiu do Recife, em 1968, com Edy Souza (depois Edy Starr), com passagens pagas por Capiba, para defenderem Dia Cheio de Ogum, no festival O Brasil Canta no Rio, que Juvenal Vasconcelos marcou a música brasileira, o que começara a fazer em Pernambuco, participando ativamente da cena local de MPB e jazz samba. No Ri, ele se tornou logo percussionista requisitado por estrelas como Milton Nascimento, Gal Costa, Mutantes, integrou o Som Imaginário, o Quarteto Livre (com Geraldo Azevedo, Franklin da Flauta e Nelson Ângelo), grupo que foi extinto pelo AI-5. O Quarteto Livre acompanhou Geraldo Vandré em seus últimos shows no país, antes de fugir para o Chile, em fins de 1968.

Logo Naná Vasconcelos também sairia com o saxofonista Gato Barbieri, com quem gravou, entre outros projetos, a trilha sonora de O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci. Até retornar ao Recife nos anos 90, Naná tocaria com quase todos as figuras carimbadas do jazz, quase sempre na trilha da vanguarda e do experimental, mas também com bandas pop, feito a Aztec Camera ou Paul Simon.

Nesse dia nos lembremos dele, com o parceiro Egberto Gismonti, neste álbum do Duo Gismonti – Vasconcelos, registro de um concerto ao vivo no Jazzbühne, em Berlim Oriental, em 17 de junho de 1984, e lançado seis anos mais tarde. Por esta época, Naná e Egberto já contabilizavam muitos anos de estrada juntos.  Em 1976, encantaram Europa, França e Bahia, com Dança das Cabeças, que lhes deu um Grammy, e uma exposição que colocou a dupla no time de cima do jazz contemporâneo. Com selo Repertoire Records, este é um álbum difícil de encontrar, mas pode ser conferido no youtube.  

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