Mitski reaparece com o disco que não deveria fazer

A canção não morreu, é o que parece afirmar a nipo-americano Mitski no álbum Laurel Hell, lançado no início de fevereiro de 2022. Um disco que é sequência do elogiado Be the Cowboy, um dos mais elogiados de 2018. Tão elogiado, que a cantora decidiu interromper a turnê em2019, dar uma parada definitiva. Não tinha queda para superstar, sobretudo as atuais, que frequentam mais redes sociais do que os palcos. A carreira precisa ser sustentada por número de seguidores mais do que pela música que estes escutam. Querem saber o dia a dia do ídolo que, a maioria, cria factoides de um cotidiano fictício. Paradoxalmente ao desejo manifestado de abandonar a carreira, Mitski começou a criar Laurel Hell logo depois de Be the Cowboy, garante que por uma obrigação contratual.  Mas o álbum levou quase quatro anos para chegar a publico. É o sexto de sua discografia.

Embora feito durante a pandemia, que tem levado a trabalhos reflexivos, canções em tons cinza, Mitski parece não ter sido muito afetada pelo clima de isolamento social. O disco começa sombrio com Valentine, Texas, porém Laurel Hell não segue tendências, não vai ao encontro de rap, ou seus derivados. Pelo contrário é em boa parte retrô, uma volta ao pop sofisticado dos anos 80. Em faixas como The Only Heartbreaker (assinada por Dan Wilson, um frequentador das paradas) e Love More, tem sonoridade pós-disco, e lembra Debbie Harry. Ela fez um disco que não pretendia fazer, com canções que repensam, discutem, questionam sua relações com a indústria.

Em Heat Lightning, a insônia a leva a reconhecer que pretende continuar a fazer música e que a indústria venceu: “Não há nada que possa fazer/nada que possa fazer/só eu desisto/espero que esteja tudo certo/nada que possa fazer/nada que possa mudar/eu desisto e me rendo”. Em Love me More, uma balada com uma melodia dessas que ficam na cabeça depois que termina, tem letra que tanto pode ser para um namoro conflituoso, quanto à relação de amor e ódio com o mercado da música. Este mais explícito em canções como Working for the Knife

Laurel Hell traz Mitski sem repetir maneirismos, mais dançável do que melancólica, sempre elegante e sofisticada, embora mais acessível. Ela faz todos os vocais, e escreveu quase todo o repertório, a exceção é a canção de Dan Wilson. Mitski toca teclados, com uma banda formada por Patrick Hyland (guitarra e sintetizador, também o produtor do álbum), e Elizabeth Chan (bateria).      

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