Zé Dantas: 60 anos sem o Doutor do Baião

A primeira composição de José de Souza Dantas foi No Resfolego da Sanfona, escrita no quarto da pensão em que morava. Veio de Carnaíba, no sertão do Pajeú para estudar no Recife. Concluiu medicina, mas durante todo o período em que fazia faculdade, resvalava para a música. Tornou-se um dos maiores compositores da história da música popular brasileira. Era conhecido como Zé Dantas, O Doutor do Baião. Autor de dezenas de clássicos, a maioria na voz de Luiz Gonzaga, que assinou com ele quase tudo que gravou de ZéDantas.

Nessa sexta-feira, 11 de março, completaram-se 60 anos de sua morte prematura, em consequência de problemas renais. Zé Dantas morreu com 41 anos. É o autor pernambucano com mais sucessos nacionais, depois de Alceu Valença, que está com 75 anos, e 50 de carreira, contados a partir do álbum que dividiu com Geraldo Azevedo em 1972. Zé Dantas teve pouco mais de dez anos de vida artística, contando com suas participações em programas no rádio No Recife.

 Foi um autor prolífico sofisticado falando a linguagem do povo.  Vem Morena, Xote das Meninas, Algodão, A Volta da Asa Branca, Riacho do Navio, A Letra I, Forró de Mané Vito, Forró em Caruaru, Sabiá, Cintura Fina, Vozes da Seca, Acauã, Noites Brasileiras, Rei Bantu, Derramaro o Gai, e por aí, quase tudo que compôs virou clássico.

A imprensa não deu nada sobre o aniversário de morte de Zé por fraqueza de memória. Provavelmente, no resto do país tampouco alguém se lembrou da data. Zé Dantas nunca aparece entre os principais compositores da MPB. Talvez porque fazia música por prazer, não viveu a boêmia carioca, embora tenha morado a maioria dos seus breves anos no Rio, e fazia forró, música de povão, de nordestino. Mesmo que tenha sido gravado por alguns dos mais badalados interpretes de sua época, e continua sendo gravado até hoje, por Caetano, Gil, Alceu e grande elenco. Apesar do esquecimento, a música do Doutor do Baião, permanecerá pelos séculos vindouros.

(foto: acervo da família do compositor)

3 comentários em “Zé Dantas: 60 anos sem o Doutor do Baião

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  1. Zé Dantas, sem dúvida (ou há dúvida?), foi quem melhor captou a essência do nordestino nas letras das músicas compostas para Luiz Gonzaga.

    O próprio Luiz Gonzaga resumiu em entrevista concedida à imprensa essa asserção: Zé Dantas era tão puro, tão nordestino, que quando chegava perto da gente a gente sentia cheiro de bote.

    Dois gênios indecifráveis.

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  2. Valeu, Teles, a lembrança do gênio de Carnaíba, que jamais vai prestar uma homenagem ao seu filho ilustre, a altura do que ele representava para a cidade e para o Nordeste.

    A propósito, Teles, há no mercado alguma biografia a altura dos dois gênios, ou as que existem não preenchem a lacuna?

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    1. zé dantas tem uma de Leda Dias que é boa, mas curta. Deve haver mais outras, escritas pelo Nordeste. De Luiz Gonzaga tem várias, a de Monique Dreyfuss ainda é a melhor, embora limitada, na época não se tinha fontes de pesquisas, feito as hemerotecas digitais, e internet

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