The Beatles 60 anos (5) – The Silver Beetles, o beat Royston Ellis, e Tony Bramwell, um amigo de infância

Numa noite gélida, em 27 de dezembro de 1960, Tony Bramwell, um adolescente de Liverpool, pegou um ônibus para assistir a um show de rock, de uma banda alemã, de Hamburgo, no Litherland Town Hall. Não conhecia a banda. Foi atraído pela chamada na fachada “Diretamente de Hamburgo”. Quando entrou no ônibus deparou-se com um amigo que não via há alguns meses. O conheceu como entregador de carne de um açougue, perto de onde morava. Ele ganhava um dinheirinho, entregando os bifes numa antiga bicicleta, dos tempos da guerra.

O amigo estava com uma guitarra, cumprimentou Tony, e perguntou para onde estava indo. Quando soube que ia ao Litherland Town Hall, o amigo disse-lhe que ia tocar lá naquela noite. Foi assim que Tony Bramwell descobriu que seu amigo George Harrison tocava no tal The Beatles, que supunha alemão. Com dinheiro curto, o que levava no bolso daria pra comprar uns dois disquinhos compactos, ele sugeriu a George que deixasse que carregasse a guitarra, para entrar no show sem pagar.

Foi o primeiro show em Liverpool dos Beatles depois do relativo sucesso em Hamburgo, que se tornou parada obrigatória dos principais grupos da cidade onde, na onda do skiffle, surgiram dezenas de bandas. Paul McCartney, outro amigo de Tony, integrava os Beatles, que tinha ainda Pete Best e Chas Newby, substituindo o baixista Stu Sutcliffe, que optou por morar em Hamburgo. Tony Bramwell esperou que o os cinco recebessem o cachê, e foi pegar o ônibus com eles. Bramwell nem em sonho poderia antever que o rumo de sua vida mudaria quando encontrou George Harrison naquele ônibus.

Tony Bramwell escreveu um livro autobiográfico, The Magical Mistery Tours – My Life With the Beatles (escrito com a jornalista Rosemary Kingsland). Assim como outros livros de memórias de colegas de infância e adolescência de John, George, Paul e Ringo, o de Bramwell é mais uma peça que ajuda a entender como os Beatles e não outras bandas de Liverpool, mais badaladas na cidade, chegaram tão rapidamente ao estrelato internacional. Uma história em que há farto subsidio para os que acreditam na influência dos astros no papel que as pessoas desempenham na vida.

Em 1960, por exemplo, um poeta beat inglês, Royston Ellis, chamado do Allen Ginsberg de Londres, foi a Liverpool para um recital. Ele costumava se apresentar com música de fundo. Jimmy Page foi um dos músicos que tocaram num recital de Ellis. Em Liverpool ele pediu que lhe encontrassem um grupo. Sugeriram-lhe um chamado The Beetles. Os Besouros.  De The Quarrymen o grupo foi assim rebatizado por John Lennon, em homenagem a Buddy Holly, logo depois de sua morte, em janeiro de 1959. Holly era acompanhado pelo The Crickets (Os Grilos). Lennon queria um Long John Silver and The Beetles (O Long John vinha do livro A Ilha do Tesouro, de Daniel Defoe). Não foi aprovado, e ficou The Silver Beetles.

Royston Ellis deu a ideia de um trocadilho com “beetles”, como Beatalls, ou Beatles. Contesta-se esta versão. Mas em 1964, no seu romance Myself for Fame um capítulo transcorre em Liverpool, e ele cita o encontro com os Beatles. Aliás, Royston Ellis foi fonte de inspiração para Paperback Writer (1965), e Polythene Pam (1969). Royston mostrou outra finalidade da benzedrina, descongestionante nasal, que tinha a anfetamina como elemento ativo. John Lennon e Royston Ellis tinha a mesma idade. Nessa noite do recital os dois foram a um apartamento encontrar duas garotas, ficaram ligados com benzedrina e cerveja. Uma das moças vestia uma roupa de polietileno, daí a música Polythene Pam. Bramwell comenta em sua autobiografia com os Beatles, que rolava maconha em Liverpool, mas não era popular entre os jovens, que preferiam anfetamina ou “purple heart” e similares, para permanecerem instigados durante as festinhas.

 Os ventos estavam soprando a favor dos Beatles.  O alistamento obrigatório foi revogado na Inglaterra em 1964, ano em que o grupo estourou nos Estados Unidos, consequentemente, no mundo. John, George, Paul e Ringo livraram-se assim da possibilidade de serem convocados para servir às forças armadas, com possibilidade de ser mandado para alguns dos conflitos com ex-colônias. A Inglaterra continuava envolvida em vários no início dos anos 60.   

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