Andréa Brandão canta MPB intimista e refinada no álbum Bons Ventos

A paulista Andrea Brandão lança, nas plataformas de música para  streaming, o álbum Bons Ventos, trafegando na contramão da maioria dos que fazem música no país hoje. Sem a preocupação de ser moderna, ela trabalha a MPB refinada, incursionando pelo samba, bossa, toada, procurando temperá-las com molho de jazz, e muito bem acompanhada por figurinhas carimbadas do instrumental brasileiro. A banda básica do álbum é formada por Toninho Ferragutti (acordeom), Jaques Morelenbaum (violoncelo), Cristovão Bastos (piano), Filó Machado (violão) e Cuca Teixeira (Bateria). Participam ainda de Bons Ventos: Leo Amuedo (guitarra), Carlinhos Noronha (baixo acústico), Cainã Cavalcante (violão), , Chys Galante (percussão) e Jackson Lourenço (contrabaixo), e Michel Limma (piano), que assina os arranjos e a produção do disco.

Andrea Brandão integrou durante cinco anos o elogiado grupo Trovadores Urbanos, um grupo vocal que teve como mentor um mito do jornalismo cultural brasileiro, Zuza Homem de Mello (1933/2020), cultivando um repertório do melhor da MPB, com um viés para a música de serenata. Andréa, que entrou para o TU ainda adolescente, não poderia ter mais oportuno curso preparatório. A influência do que cantava com os Trovadores Urbanos, naturalmente, se reflete no que grava e canta.

Poetisa, Andrea Brandão escreveu as letras das onze canções do álbum, com melodias de Cristóvão Bastos (uma), Filó Machado (duas), Torrado Parra (quatro), e Edu Santhana (quatro), o que confere uma diversidade estilística ao álbum, sobretudo com o uruguaio Fernando Torrado Parra, com quem ela compôs Espera, o samba mais suingado do álbum, e de fraseados jazzístico. Espera vem depois da canção que abre e dá nome ao disco, Bons Ventos (parceria com Edu Santhana, e participações de Leo Amuedo, Cuca Teixeira e Michel Limma). A música é seguida por outra canção lenta, a camerística Quisera Eu, colorida pelo cello de Jaques Morelenbaum, e acompanhamento do piano de Michel Limma. Bastante diferentes de Trilhas e Trilhos (com Filó Machado) cuja melodia se avizinha das harmonias do pessoal do Clube da Esquina.

No disco há variedade também de instrumentação, em Eterno Amanhecer (com Edu Santhana), por exemplo, o acordeom de Toninho Ferragutti dialoga com o piano de Michel Limma. Basta apenas o violão de Cainã Cavalcante para Andrea dar o recado em Bangalô, e o piano de Cristóvão Bastos em Infinito (com Torrado Parra). Andréa percorre todo o disco com interpretação contida imprimindo-lhe um clima intimista, contrastando com esta época tão tumultuada em que vivemos.

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