Bezerra da Silva chega ao streaming com os dois volumes de O Rei do Coco

A pedida pro domingo de sol, é curtir os discos de coco de Bezerra da Silva, com selo da Tapecar, que chegam finalmente às plataformas de música digital. O Rei do Coco, volumes 1 e 2 são raridades na discografia de José Bezerra da Silva, recifense da classe de 1927, que faria 95 neste ano da graça de 2022. Há 70 anos Bezerra da Silva foi para o Rio, com a cara e a coragem e apenas 15 anos, de gaiato num navio. Logo se entrosou com sambistas do morro, graças à sua habilidade no coco, primo irmão do partido alto.

Aprendeu no Recife com um mestre do gênero, o grande Luiz de França, ou Luiz Boquinha, fornecedor de sucessos para Ary Lobo (é o autor de Eu Vou Pra Lua, lançada por Genival Lacerda, mas tornada sucesso nacional por Ary). Bezerra da Silva tocou zabumba num conjunto com Luiz Boquinha. Ele canta variações do coco, o de praia, o de obrigação e o de batuque, quase sempre cadenciado, com a zabumba na marcação, e um cavaquinho costurando a melodia.

Os dois LP foram lançados em 1975 e 1976, quando Bezerra da Silva ainda tocava na orquestra da TV Globo (ele foi dos poucos artistas populares que lia partituras). No primeiro volume ele assina, só ou com parceiros, quase todas as faixas. A maioria dos parceiros é de desconhecidos, assim como aconteceria depois com seus discos de samba. O mais conhecido é Buco do Pandeiro, que fez músicas para muita gente boa do forró, sobretudo Jackson do Pandeiro (é autor de A Cantiga do Sapo). Mesmo assim se sabe quase nada de Buco do Pandeiro.

“Alô, alô Nordeste, lá vai o coco de obrigação. Se não souber dizer vai esquentar a cuca/ vai enrolar a língua/ vai doer o coração/veja bem meu camarada/ isto não é embolada é coco de obrigação”, versos de Se Não Souber Dizer (Buco do Pandeiro), que abrem o volume 2 de O Rei do Coco, com acompanhamento de um regional. Aqui é tênue os limites entre o coco e o partido alto. Neste LP Bezerra da Silva vai também de samba, como é o caso de Assim Sim (Janice/Carlinhos do Cavaco). Trechos da Marselhesa estão na introdução de Pour la Madame, samba de Bucy Moreira e Arnô Canegal, com Bezerra da Silva colocando as divisões do coco no samba.

 O Rei do Coco 2 está mais para o samba de partido alto, o pagode (o legítimo, não o tal do pagode romântico). Até a faixa que dá título ao disco é um samba. Mas tem faixas com o melhor do forró, feito o rojão Simbora Neném (Avarese), o berimbau e toque de terreiro no paranauê de Segura a Viola Zé Pilintra (Pernambuco/Betinho) e Coco do Trocadilho (Buco do Pandeiro), no estilo trava-língua, muito usado na embolada. No disco seguinte, Bezerra da Silva adentra o samba, dividindo com Genaro, o LP Partido Alto Nota 10 (CID), cantando alguns craques do samba carioca, Nei Lopes, Wilson Moreira, Dicró, ou Neguinho da Beija-Flor.

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