Geraldo Nunes não esclarece o motivo de a velha estar debaixo da Cama

Para um domingo chuvoso. Os Grandes Sucessos de Geraldo Nunes (RCA) Mineiro de Teófilo Otoni, Geraldo Nunes Moreira, (1933/2016), foi fornecedor de sucessos para ídolos da jovem guarda. É autor, por exemplo, de O Bom Rapaz, um dos maiores hits de Wanderley Cardoso, que deu título ao seu LP mais bem sucedido, de 1967. A Jovem Guarda, o programa acabou no final da década de 60, mas o iê-iê-iê continuou, embora os principais nomes tenham partido para outras searas sonoras e estéticas.

Os que continuaram fiéis ao iê-iê-iê sedimentaram a base do brega dos anos 70. Não procuravam mais fazer música para adolescentes. Voltaram às origens, aos temas do bolerão passional. Geraldo Nunes passou a ser mais intérprete do que a repassador de composições para terceiros.  Mesmo assim foi gravado por Elba Ramalho, Wilson Simonal, Anastácia, e até Luiz Gonzaga. Foi autor eclético, bom em qualquer estilo. Quando enveredava pelo forró atraia muita gente boa, Noca do Acordeom, Marinês, Ary Lobo, Gordurinha, Baiano e Os Novos Caetanos (Urubu Tá Com Raiva do Boi, com Venâncio).

Geraldo quando incorporava o brega cantava pérolas como Secretária da Beira do Cais (1975, de Xavier/Nenzinho), uma canção sobre uma prostituta que ganhava a vida na região do cais do porto, no Rio, e escrevia pra família no interior que trabalhava como secretária. Um hit pra Odair José algum botar defeito. Porém a música pelo qual é mais lembrado é uma desses melôs engraçados, que o pessoal do rádio começava a tocar mais por tiração de onda, e de repente viralizava país afora. Foi assim com O Boi Vai Atrás, um dos maiores sucessos de 1974, com João da Praia (com ene regravações).

E assim com Geraldo Nunes, em 1975, com A Velha Debaixo da Cama (Jonas de Andrade), inspirada numa parlenda, a música tem letra meio surreal. Uma velha está debaixo da cama, não se sabe o motivo, e sua casa é um verdadeiro zoológico.  Ela cria os seguintes animais, por ordem de entrada na letra: rato, gato, cachorro, macaco, porco, bode, jumento, leão, e cobra. A cada citação de um bicho, a velha canta o refrão: “Ai meu Deus se acaba tudo/quanto bem que eu te queria”. No final a cobra sai mordendo os animais, e acaba picando a velha, que vai pro outro plano.

A Velha Debaixo da Cama, no entanto, não figura nas listas das 100 músicas mais tocadas em 1975, ano de Ovelha Negra, de Rita Lee, Além do Horizonte, de Roberto Carlos, Moça, de Wando ou Mestre-Sala dos Mares, com Elis Regina, Mulher Brasileira, de Benito de Paulo, ou Vai Levando, com Chico Buarque e Caetano Veloso. A música foi pra debaixo da cama, pois.  

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