Bola Sete num álbum triplo de concertos dos anos 60

O nome do músico era Djalma de Andrade, maníaco por sinuca. Em excursões, a primeira coisa que fazia era procurar um local pra jogar sinuca. Pela predileção, pelo jogo e pela cor passaram a chama-lo de Bola 7. Carregou o nome Bola Sete pelo resto da vida (faleceu em 1987, aos 64 anos). Começou no inicio dos anos 50 no conjunto regional de Claudionor Cruz. Foi do cast das rádios Tupi, Globo e Nacional. Do Rio para São Paulo, onde Bola Sete, em 1954, montou um grupo que circulou pela América do Sul. De volta ao Rio, foi contratado para tocar na Europa, passou por várias cidades, italianas, espanholas, Alemanha. Logo o guitarrista, com seu grupo cruzaram o Atlântico para mais 47 apresentações na Europa. Bola Sete fez turnês ao exterior com Dolores Duran. De tanto tocar em outros países, em 1959, ele foi visto por um executivo da empresa americana de hotéis Sheraton, que o convidou para uma turnê nos EUA. Porém tocando com exclusividade nos bares da rede hoteleira. Bola Sete se mudou definitivamente para os Estados Unidos.

Em 1962, sem ter nada com a bossa nova, participou do célebre concerto da BN no Carnegie Hall, em Nova Iorque. Ao seu repertório Bola Sete acrescentou sucessos da bossa, que era um imenso sucesso nos Estados Unidos (e no mundo), passou a tocar com músicos do naipe de Dizzie Gillespie, Lalo Schiffrin, mas não se tornou exatamente um músico de jazz. No palco ou em disco tocava jazz, mas bossa nova, flamenco, ou peças eruditas;

Bola Sete deixou uma discografia imensa e substanciosa, encontrável em parte nas livrarias virtuais. Nas plataformas de música para streaming tem bastante discos do guitarrista. O mais recente é Samba in Seattle: Live at The Penthouse, 1966 – 1968 (Tompkins Square). São três CDs, 29 faixas, mais um libreto de 40 páginas, ensaio, de Greg Casseus, entrevistas com Carlos Santana e Lala Schiffrin. Em 1966, Bola Sete estava com, no máximo, vinte anos de carreira, mas parece ter muito mais décadas de estrada, pelo domínio do instrumento. É virtuoso e criativo.

 Excepcional a execução, recheada de improvisos, de Valsa de Uma Cidade (Antônio Maria/Ismael Neto). Claro, numa apresentação ao vivo é de bom tom um afago no público, um pouco de exibicionismo. Bola Sete atendeu, a pedidos, e tocou Malagueña (Lecuona), bem adequada para o músico de cordas mostrar suas qualidades. Por essa época o tema integrava o repertório de quase todos os violonistas. Bola Sete tem o dom de recriar a música mais manjada, como faz com Garota de Ipanema (Tom/Vinicius), então dividindo as paradas mundiais com Yesterday, de Lennon & McCartney (na verdade, apenas de McCartney). A adjetivação é necessária para o que ele faz com Satin Doll, de Duke Ellington

Bola Sete toca acompanhado pelo contrabaixista Tião Neto e pelo baterista Paulinho Magalhães. A produção é de Zev Feldman, chamado de “O detetive do jazz”, pelas preciosidades que descobre e torna mais palatáveis pelo tratamento que  dá às fitas originais. O som deste Samba in Seattle: Live at The Penthouse, 1966 – 1968 é impecável.

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