Caravellus, banda de heavy metal, inspira-se na obra armorial de Ariano Suassuna

Por esta Ariano Suassuna não esperava: um disco de metal progressivo armorial. A proeza é do grupo pernambucano Caravellus, com o álbum intitulado Inter Mundos, que sai na Europa pelo selo Rockshots, e no Brasil pelo Metal Relics. A banda  é mais conhecida no meio do HM, um segmento que tem público certo e  sabido, e limita a divulgação de shows basicamente entre os adeptos do gênero. E a  Caravellus já pode ser considerada veterana, com duas décadas de estrada, frequentes mudanças na formação, e inevitáveis freios de arrumação.

Neste disco o Caravellus é integrado por Glauber Oliveira (guitarra), Daniel Felix (teclados), Leandro Caçoilo (vocal), Emerson Dácio (baixo) e Rafal Ferreira (bateria), e participações especiais de Daniela Serafim (Invisible Control), e de John Macaluso (que tocou com muita gente boa, incluindo o superguitarrista Yngwie Johan Malsteem), e Elba Ramalho.

Como o disco ainda não foi lançado, não se sabe bem que tratamentos os personagens de Ariano Suassuna, do romance armorial A História do Rei Degolado nas Caatingas do Sertão, lançado há 45 anos, o primeiro do escritor desde A Pedra do Reino (1970). A célebre onça caetana está presente no roteiro do álbum do Caravellus. O que é no mínimo curioso. Ariano idealizou o movimento armorial como uma reação às mudanças estéticas que se processavam aceleradas na segunda metade dos anos 60.

Ariano Suassuna e o parceiro Capiba disputaram tanto os festivais da TV Record, quanto os da TV Globo (Festival Internacional da Canção). A dupla que não era exatamente prafrentex (como se dizia então) teve uma composição classificada entre as finalistas do histórico Festival da MPB de 1967, quando houve a virada de mesa na música brasileira organizada por Caetano Veloso, Mutantes e Gilberto Gil. Dá pra imaginar a dupla vendo sua Cantiga de Jesuíno, defendida por uma cantora hippie, De Kalafe, que cantou descalça

Enquanto isto no Recife os eflúvios das mudanças se insinuavam nos espetáculos que se montavam na cidade, numa época de muita efervescência, com o teórico Jomard Muniz de Britto, o músico, cantor e  compositor Aristides Guimaraes, Os Bambinos, de Robertinho do Recife e Geraldo Amaral, Anah, Marcus Vinicius. O armorial veio para combater o que conservadores consideravam influência dos americanos, colonialismo cultural.

E eis que tantos anos depois, a Caravellus viaja no imaginário do universo de Ariano Suassuna. Por enquanto a banda só lançou um single do disco, Memento Mori. Esperemos o álbum completo pra se saber o que está pintando a Onça Caetana desta feita. Muito legal a capa de Marcus Ravelli.

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