Curto & Grosso (crônica) – Eis aqui este sambinha feito com uma melodia só

Uma das coisas mais maçantes que conheço é desfile de escola de samba.  Tô aqui no Gravatá Jazz. Ontem teve carnaval metal, com Andreas Kisser, do Sepultura, e Vasco Faé, um cara que toca percussão, gaita, guitarra e canta ao mesmo tempo.  Quer dizer, mais ou menos ao mesmo tempo, não dá pra cantar e tocar gaita simultaneamente, feito assoviar e chupar cana. Mas tergiverso

Volto pra pousada e ligo a TV. Tem escola de samba, passo meia hora vendo o desfile, tirei o som do aparelho. O carros alegóricos contam uma história. Mas a gente só entende se o cara da TV explicar.  Aumento um pouco o volume, pra escutar o samba. Devo tá com problema auditivo, porque o samba que é cantado me soa igual ao que cantam todos os anos há vários anos.

Dá impressão de que o mesmo compositor trabalha pra todas as escolas. Peço perdão aos cariocas e paulistas, que consideram o desfile o maior espetáculo da terra. O pessoal do Rio Já foi bom nos sambas, porém isto há décadas. Nunca mais escutei um enredo com uma melodia assoviável, capaz de fazer sucesso no rádio, ou nas plataformas de música digital

E ainda pior, a exibição do desfile das escolas cariocas e paulistas são transmitidos para o pais inteiro como se o país inteiro estivesse interessado nele. Eu, em Pernambuco, queria ver o carnaval de cá. Mesmo estes polos em que foliões passivos fazem o passo parados. Assistem a shows, muitas vezes de artistas que não sabem de onde saíram. O Carnaval do Recife tem todo o tipo de música, até frevo.

Melhor assistir a shows carnavalescos na TV do que ver as escolas em desfiles intermináveis, estendendo-se até o dia raiar. Pra mim são bons pra dormir. Peguei no sono ontem, acordei o desfile tinha terminado, acho que o de São Paulo. A escola desembestou pra fora da passarela, subia um viaduto. Não sei se os sambistas despirocaram de vez, ou era parte do enredo.

N – A crônica é de 2019. Vi cinco minutos dos desfiles nesse sábado. A crônica continua atual.

SAMBAS DE ENREDO

Em 1993, a Sony Music lançou uma coleção de sambas de enredo primorosa. A produção é de Rildo Hora, e que tomou a liberdade de convidar também intérpretes da MPB para cantar os sambas. Vou citar apenas um CD, o do Império serrano. O repertório abre com João Bosco e o clássico de Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola com Heróis da Liberdade (1969), uma composição de tão alta qualidade que tanto funciona na passarela quanto num show de palco. A segunda faixa é o imbatível Bumbum Patibumbum Prugurundum (1982), Beto Sem Braço e Aluísio Machado, na voz de Roberto Ribeiro (esta tocou tanto que virou sucesso de meio de ano) . Roberto Ribeiro também canta mais um clássico, Exaltação a Tiradentes (1949), de Mano Décio da Viola, Penteado e Stanislau Silva.

Outro petardo, Aquarela Brasileira (1964), de Silas Oliveira, Yvone Lara e Bacalhau, mais uma vez Roberto Ribeiro. Yvone Lara é quem canta Os Cinco Bailes da História do Rio (1965), dela, Silas de Oliveira e Bacalhau, um samba de melodia com preciosismos impensáveis nos tempos atuais, em que os sambas têm levada de marcha acelerada. Dificilmente a Sony relançará estes discos no formato físico, mas a coleção completa está disponível no Spotfy.

2 comentários em “Curto & Grosso (crônica) – Eis aqui este sambinha feito com uma melodia só

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  1. Unchi! 2019 nada! 22 sim. Vi momento final da Vila. Até a entrevista é igual.
    Se antes não, agora que ” num perdo tempo” com a mesmice.
    Prefiro o forró. Em PE ainda existe?

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