Marisa Monte dá uma geral em 35 anos de uma carreira impecável, em dois shows da turnê Portas no Classic Hall

“Não temos uma data certa para voltar aos palcos. Ainda está difícil fazer planos. Dependemos da vacina e da maioria da população imunizada. Talvez no final do ano, se tudo der certo em 2022, a gente vai ter a alegria de se encontrar de novo. Comecei minha vida na música com 19 anos e nunca fiquei tanto tempo sem cantar ao vivo e sem encontrar o meu público. Estou sentindo muita falta, não vejo a hora de poder cantar junto”, de Marisa Monte, no final do texto que escreveu sobre o álbum Portas, gravado durante a pandemia.

Tudo deu certo. Marisa Monte e banda aterrissam no Classic Hall, às 22h, nesse sábado (30) e domingo (1ª de maio), com a turnê de Portas, com ela tocam por Dadi (baixo, teclado e guitarra), Davi Moraes (guitarras), Pupillo (bateria), Pretinho da Serrinha (percussão, cavaquinho e voz), Chico Brown (teclado, guitarra, baixo e voz), Antonio Neves (trombone, adaptações e arranjos de metais), Eduardo Santanna (trompete e flugelhorn) e Lessa (flauta e sax).

Desde que se tornou estrela nacional, em 1989, com um badaladíssimo disco ao vivo, Marisa Monte sempre faz a coisa certa. E chegou pronta para se tornar a grande revelação de cantora da MPB desde Gal Costa, duas décadas antes. Durante dois anos fez estágio probatório em casas de shows da Zona Sul carioca, como a Double Dose, em Ipanema, onde se apresentava em 1987, (com a pianista e cantora Victoria Maldonado), ou no saudoso Jazzmania (com uma banda que tinha a percussão de Marcos Suzano).

Aquelas apresentações intimistas, refinadas, foram tornando-se cultuadas, os locais onde se Marisa se apresentava eram concorridos. O JB constatou o frisson, numa foto legenda 35 anos atrás: “Marisa Monte provocou taquicardias ao estrear no Jazzmania, cantando de Kurt Weil a Assis Valente. Ela tem 20 anos e foi comparada a Billie Holiday”. A nota, de 25 de setembro de 1987, foi chamada capa para uma matéria, assinada por Alfredo Ribeiro, com título que não deixava dúvidas: “Nasce Uma Estrela – Marisa Monte, cantora de 20 anos e voz rouca arrasa no Jazzmania”.  

IMPECÁVEL

 São, pois, 35,  anos de carreira sem deslizes, ou altos e baixos. Mesmo quando surgiu atraindo a atenção da mídia, Marisa soube evitar a superexposição (como sabe na era da Intenet). Entrou e saiu da mira dos holofotes com habilidade. Numa época em que se vendiam discos aos montes, a cantora, contratada da EMI, lançou álbuns com parcimônia de tempo entre um e outro. Só faria o primeiro de estúdio (Mais) em 1991. Levaria três anos até o terceiro, Verde, Anil, Amarelo, Cor de Rosa e Carvão (1994).  Em 2006, seis anos depois do último álbum, Memórias, Crônicas e Declarações de Amor, lançou dois discos simultâneos, Universo ao Meu Redor e Infinito Particular.

Claro, nesse ínterim aconteceu o Tribalistas, com Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, que completa 20 anos em 2022. Guardando-se as devidas proporções, foi um fenômeno pop como não acontecia no país desde o Secos & Molhados, 30 anos antes. Fica no campo da probabilidade, mas poderia ser semelhante se o Tribalistas tivesse saído em turnê, o que só aconteceu 15 anos mais tarde.  

PORTAS

O roteiro do show contém onze faixas pinçadas de Portas, de 2021, primeiro álbum de Marisa Monte em dez anos. Em 2017 teve o segundo com o Tribalistas, mas o último disco solo de estúdio foi O Que Você Quer Saber da Verdade, de 2011 (em 2014 lançou um álbum ao vivo, Verdade Uma Ilusão – Tour 2012/2013).

Nos dois shows que apresenta no Classic Hall, Marisa Monte enfatiza, o novo álbum, mas contempla os fãs com uma geral da sua obra, cantando os principais hits, inclusive com os Tribalistas, num total de 33 canções, em que não faltaram sucessos como Comida (Arnaldo Antunes/Marcelo Frommer/Sergio Britto), Beija Eu (parceria com Arnaldo Antunes e Arto Lindsay), Eu Sei (Marisa Monte), Velha Infância (Marisa Monte/Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/Pedro 22Baby/Davi Moraes) e, claro, Bem Que Se Quis (Pino Daneli, versão Nelson Motta).

A direção e concepção visual do espetáculo são de Claudio Torres e Batman Zavareze, Desenvolvida a partir da série Fundos de Lúcia Koch.

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