Flora Purim completa 80 anos e volta ao disco depois de 15 anos

Flora Purim voltou aos estúdios, em Curitiba e São Paulo, e lançou nesse final de semana, If You Will, seu primeiro álbum em 15 anos (com selo Strut, nos EUA, e Juno Records na Inglaterra). Um projeto feito em família, com o marido Airto Moreira, e a filha Diana, mais o guitarrista José Neto e o percussionista Celso Alberti. Para os poucos que não a conhecem, Flora Purim é uma das mais importantes cantoras brasileiras, mas desenvolveu sua carreira nos EUA desde os anos 60. Com Airto Moreira imprimiu o sotaque latino no jazz fusion dos anos 70. Aliás, o casal esteve em alguns dos principais grupos da época. Airto com Miles Davis ou Weather Report. Flora era a voz do Return to Forever, com Stanley Clarke e Chick Corea. Ela cantou com a maioria dos gigantes do jazz, fez turnês com Dizzie Gillespie, e cravou uma carreira solo vitoriosa nos Estados Unidos, Europa e Ásia. E isto sem se apegar à bossa nova, sua versatilidade a leva a incursionar pelos mais variados gêneros e estilos.

É isto que ratifica neste If You Will, com inéditas e regravações de alguns dos seus grandes sucessos, a exemplo de 500 Miles High (do álbum homônimo solo, de 1974, gravado no festival de Montreux) ou a faixa título, gravada com George Duke, e dedicada neste disco a Chick Corea. Se no original If You Will é um samba cadenciado, a batucada agora é mais evidenciada, com Flora dividindo os vocais com Diana Purim, autora da faixa A Flor da Vida, inspiração para o desenho da capa (de Gabriela Barbalho). A música é uma reverência ao jazz fusion, com ótimo arranjo vocal. Além de ser filha de duas personagens fundamentais da música popular, Diana casou com Walter Booker, sobrinho de Wayne Shorter, e afilhado de Herbie Hancock, não teria como não entrar na música. No repertório de nove faixas, Flora Purim faz uma rara incursão pelo blues de doze compassos, em português, com a guitarra de José Neto, também o autor da canção, intitulada 2+2 = 3.

Aos 80 anos, completados em 6 de março, Flora Purim não é imune ao tempo, obviamente, mas a voz continua segura, indo aos tons altos sem problemas. Quem a viu no palco do Gravatá Jazz, em 2019 (se apresentou com Airto) pode ratificar a asserção. E ratifica-se também a importância da sua obra, e o respeito que se tem ao seu trabalho, pela repercussão que If You Will está tendo na imprensa lá fora. As principais revistas de jazz resenharam, favoravelmente, o disco. O New York Times concedeu-lhe uma generosa matéria, tanto em espaço quanto em elogios. Os jornais ingleses foram igualmente laudatórios. O The Guardian, por exemplo, concedeu quatro estrelas ao álbum (num máximo de cinco). E não entra mídia social impulsionando a atenção da imprensa. Flora tem tão somente 2.334 seguidores no Instagram.

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