Lili Novais estreia em EP de canções pop e consistentes

Houve uma época em que o pernambucano não aceitava bem o pop. A Volver (que está anunciando uma volta aos palcos), foi das primeiras a angariar admiradores, e a ter discos elogiados por cá, assim como o vocalista Bruno Souto em carreira solo. Desde a última década, com as mudanças ocorridas no consumo de música, pernambucanos acolhem os mais diversos estilos e gêneros, incluindo o pop compromissado com reflexões pessoais, ou para puro entretenimento.

É o conteúdo do EP Meu Canto no Mundo, da novata Lili Novais, que aterrissou nesta sexta-feira, 6 de maio, nas plataformas de música para streaming.  São quatro faixas autorais, com uma identidade estética com um estilo que se vem fazendo no estado, sobretudo no Recife e Olinda, de canções melodiosas, e letras elaboradas.  Lili Novais estreou com um single, Agora, em 2021. É difícil destaque no mundo digital em meio a uma enxurrada de gente lançando músicas avulsas. Ademais não dá para formar uma opinião sobre um artista a partir de uma única música.

Com as quatro faixas de Meu Canto no Mundo, Lili Novais se mostra uma boa cantora, e uma compositora consistente.  Canções suaves, com acompanhamento eletroacústico é uma tendência do pop aqui e lá fora. Curiosamente algo que aconteceu no início dos anos 70, com o pop folk de James Taylor ou Cat Stevens, uma reação aos excessos de decibéis e cerebralizações das bandas e intérpretes de rock no final da década de 60.

A suavidade no pop nacional tem várias motivações, uma das quais vem das pessoas refletindo sobre si mesmas, certamente a pandemia contribuiu para o fenômeno. “A vida não suporta tintas/nem vem comedida/ qual um manual”, canta Lili Novais, em Pedagogia, com a participação de Flaíra Ferro. As três primeiras canções são, mais ou menos, convencionais, mas na faixa final, Breve, Lili descortina possibilidades de enveredar por harmonia e poética com o viés da ousadia.  

Meu Canto no Mundo foi produzido por Revoredo, e gravado no Garagem Estúdio (em Garanhuns), e no estúdio Carranca (no Recife). A mixagem e remasterização são de Vinicius Aquino. A cantora é acompanhada por Revoredo (violões, guitarra e ukelele), Nino Alves (percussão), Efraim Rocha (baixo), e Júlio Portela (piano, teclados e gaita). Foto da capa: Carlos Tenório, e viabilizado em edital Lei Aldir Blanc.

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