O Master Musicians of Jajouka, em novo disco, continuam uma tradição musical de 2 mil anos

Em 2010, em Roterdã, tive um dos meus sonhos musicais realizados: assistir ao vivo Ornette Coleman com os marroquinos de Master Musicians of Jajouka, que gravaram juntos, em 1973, um dos meus discos prediletos, Dancing in Your Head, lançado em 1977. O que vi não foi o grupo original, que fez o álbum com Ornette (e banda). Muito menos o que foi produzido, em 1969, por Brian Jones, dos Rolling Stones (registro de um concerto do grupo ao vivo em Jajouka, em 1968).

O álbum Brian Jones Presents Pipes of Pan at Jajouka tornou o grupo conhecido fora do Marrocos (os integrantes são das montanhas no Norte do país). Entrevistei o Master Musicians of Jajouka, no camarim do grupo, até me convidaram para a festa dos 50 anos do álbum produzido por Brian Jones, acontecida em 2011. Não me aventurei a subir as montanhas do Marrocos, estive no país uma vez e não foi uma viagem agradável.

O Master Musician of Jajouka, feito as bandas de pífanos nordestinas, são formadas por amigos e parentes da mesma cidade, só que mudavam constantemente de líder. Na década de 90 houve um racha entre o coletivo de Jajouka, com um dos músicos, Ahmed Attar ficando com o direito legal ao nome do grupo.  O que provocou o racha, Bachir Attar usou o mesmo nome, acrescido do seu, e criou outro coletivo. O pai de Bachir foi um dos músicos que Brian Jones gravou. O disco foi lançado em 1971, e não foi a estreia do grupo, que o teve o primeiro registro em meados dos anos 50. Naquela década foi personagem de escritos da turma da geração beat. William Burroughs era um entusiasta do Master Musician of Jajouka (assim os beats chamavam os músicos marroquinos quando escreviam sobre eles. O nome pegou).

O Master Musicians of Jajouka led by Bachir Attar lançou no início de maio de 2022, Dancing Under the Moon, produzido pelo italiano Jacopo Andreini, centrado no jbala su o hipnótico estilo musical pelo qual ficou conhecido. O temas, ritualescos, estendem por até 15 minutos, executados por flautas que soam assemelhadas a gaitas de fole em transe, com percussão in moto continuo. Incautos vão considerar pura psicodelia. É parece. Não por acaso, o Master Musician of Jajouka, os dois, se encaixam na música de bandas que seguem trilhas sonoras diferentes, Jane’s Addiction ao Rolling Stone, The Orb.

Dancing Under the Moon tem nove temas, gravados ao vivo, sem acréscimo de invencionices de estúdio. O que fez Brian Jones, que produziu o disco de 1971 acrescentando ecos, ou editando como vinhetas temas longos. Por sinal, um dos temas registrados no álbum de Brian, com apenas um minuto de duração, aqui aparece com quase oito. Música para degustar sem pressa, se possível entornando um vinhozinho decente.

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