Helena de Lima, lembrada como cantora da noite, começou a gravar no auge do baião

A cantora Helena de Lima, falecida na segunda-feira, 16 de maio, aos 96 anos, ficou conhecida como cantora da noite. Em disco, só teve um grande sucesso nacional, a marcha-rancho Estão Voltando As Flores (Paulo Soledade), lançada há 60 anos, no LP O Céu que Vem de Você (RGE), o seu melhor disco, com originais de Luis Antonio, Haroldo Barbosa, Pernambuco, Antonio Maria, Luiz Reis. Na época as boates tornaram-se um generoso espaço para conjuntos, intérpretes, Helena de Lima notabilizou-se na noite carioca.

Ela começou a carreira profissional no final dos anos 40, mas só estreou em disco em 1950, no auge do baião, portanto não poderia passar incólume pela dança da moda, embora não tenha sido fiel praticamente do gênero.  Helena de Lima foi das primeiras contratações da gravadora Todamérica que, de editora musical, em 1950 passou a lançar discos (feitos na Fábrica Byington). Nesse ano, Helena estreou num 78 rotações, com Martírio (Humberto Teixeira/Oldemar Magalhães) e Cachopa (Luiz Antonio/Paulo Gesta/Jota Junior).

Nesta época Humberto Teixeira afastara-se de Luiz Gonzaga, mas continuava compondo baiões, feito Bodocongó (em parceria com Cícero Nunes), um clássico do gênero, lançado por Helena de Lima, no lado A bolachão que traz Oi que Tá Bom Tá (parceria com Lauro Maia). Bodocongó seria sucesso em 1966 com Jackson do Pandeiro, e está no LP de estreia de Elba Ramalho, Ave de Prata (1979). Em 1951, mais um 78 rotações, puxado por Baião de Salvador (Humberto Teixeira/Sivuca), agora com arranjos de forró mesmo, e interpretação brejeira, impensável na Helena de Lima que em 1956, em seu primeiro LP (de dez polegadas), foi das primeiras a gravar Tom Jobim (Foi a Noite, com Newton Mendonça).

Ela voltaria ao ritmo nordestino no 78 rotações, o primeiro disco pela Continental, com o balanceio Vamos Balancear (Humberto Teixeira/Lauro Maia). E Samba que Eu Quero Ver, de João de Barro e Djalma Ferreira, este um célebre homem da noite do Rio. Helena de Lima nesta época passou a cantar na boate de Ferreira, que comandou uma das boates que marcou época, a Drink. Ela encontraria logo o tipo de música que se encaixa no seu estilo elegante, em compositores como Vadico, Marino Pinto, Dolores Duran.

Chegou a surpreender o destaque que a imprensa concedeu ao falecimento de Helena de Lima, que teve uma carreira com discos elogiados, mas de popularidade discreta. Ela participou de um capítulo da MPB cuja história foi tocada de leve, a música da noite carioca, e interpretes, com Waldir Calmon, o citado Djalma Ferreira (que ganhou uma esplêndida caixa do selo Discobertas), Elza Laranjeira, Rosana Toledo, Ellen de Lima, Lourdinha Bittencourt, entre várias outras.

Nas plataformas digitais, há o álbum O Céu que Vem de Você e Uma Noite No Cangaceiro, mais playlists que dão para se ter uma visão geral da obra gravada de Helena de Lima.

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