Combat Rock, de The Clash, ganha edição de 40 anos turbinada com 12 faixas extras

Para roqueiro de cabelos encanecidos, a Columbia/Legacy lança nesta sexta-feira 20 de maio, uma edição turbinada de Combat Rock, do grupo inglês The Clash, que completa 40 anos neste mês. Uma das mais inovadoras bandas do final dos anos 70 fez um álbum que concilia qualidade com popularidade, rendendo dois hits, e dois megahits, Should I Stay or Should I Go, e Rock the Casbah, inspirado no banimento de música ocidental no Irã do Aiatolá Khomeini. Seria a última vez que The Clash emplacaria uma canção entre as dez mais do paradão pop da Billboard. Logo depois, brigas internas, iniciadas desde a gravação do álbum anterior, Sandinista, culminaram na debandada dos integrantes do grupo. E não apenas por desentendimentos internos.

O baterista Topper Headon entregou-se à cocaína e à heroína, enquanto Mick Jones discordava de quase tudo que Joe Strummer e Paul Simonon. Apesar das drogas, Topper Headon segurava a onda no estúdio. A melodia de Rock the Casbah foi composta por ele, que tocou todos os instrumentos, piano, baixo e bateria (os demais integrantes não estavam por perto). Originalmente era uma canção romântica, Joe Strummer escreveu outra letra.  

The Clash gravou Combat Rock em Nova Iorque, no Electric Lady Studio, depois de uma longa turnê americana e, logo em seguida, partiu para shows na Ásia (a foto da capa de Combat Rock foi tirada na Tailândia). O grupo vinha de um álbum duplo, London Calling (1979), e um triplo, o citado sandinista. Combat Rock seria mais um duplo, porém, depois de muito bate-boca, várias canções, vinhetas, concordou-se com um álbum simples. Paradoxalmente, o disco mais pop de The Clash é um dos mais politizado, inspirado na guerra do Vietnã (terminada cinco anos antes), no filme Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola (1979). A faixa Sean Flynn veio do desaparecimento do correspondente de guerra, Sean Flynn, filho do ator Errol Flynn. Ele e a fotógrafa Dana Stone teriam sido executados pelos soldados do Khmer Rouge, ou por vietcongs, nunca se soube com certeza.

Um disco como não se faz mais, engajado, pontuado por citações literárias, cinematográficas, o poeta Allen Ginsberg, participa na faixa Ghetto Defendant. Ironicamente, a edição comemorativa de 40 anos é um álbum duplo em CD, e triplo em vinil. Combat Rock: The People’s Hall Special Edition, acrescido de 12 faixas, entre inéditas, versões diferentes. O People’s Hall é o nome do estúdio em que foram gravadas as faixas do disco complementar. Apesar de muito bem sucedido foi o derradeiro álbum de The Clash com a sua melhor formação:  Joe StrummerMick JonesPaul Simonon, Topper Headon. O grupo deveria ter parado por aí.

Mas com Joe Strummer à frente gravou mais um disco, um dos piores anos 80, Cut the Crap (literalmente, “Deixe de Merda”). Um desastre com a inclusão de músicos desconhecidos no grupo, e uma queda de braço entre Strummer e o empresário Bernie Rhodes na qual ambos perderam. Um disco para ser ignorado. Combat Rock foi a verdadeira “saideira” de The Clash. Quatro décadas depois continua atual. O segundo disco não altera o conceito do álbum, pelo contrário, joga mais luz sobre ele.

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