Leo Sayer surpreende em Northern Songs, disco com repertório de 19 canções dos Beatles

Há 40 anos, o olindense Ademir Rodrigues de Araújo, mais conhecido por Ovelha , tornou-se um dos cantores mais populares do país, frequentando os principais programas da TV, Chacrinha, Silvio Santos e afins, com o sucesso Eu Preciso de Você, lançada em 1981. Uma versão de J.Oliveira para More Than I Can Say, hit do inglês Leo Sayer (de Sonny Curtis/Jerry Allison). Sayer não é astro de um sucesso só. No auge da carreira, nos anos 70, emplacou sete canções nas demais das paradas inglesas. Em 1977 escalou o topo das paradas americanas três vezes. Um feito. No Brasil seu maior sucesso foi mesmo More Than I Can Say, tocada até hoje nas FMs. A música, aliás, é um cover de um hit do ídolo pop americano Bobby Vee, que a lançou em 1961.

Leo Sayer é daqueles artistas que, quando se cita seu nome, a reação das pessoas é de “por onde anda ele?”. Mora na Austrália há anos (naturalizou-se australiano em 2009). Ele deu uma parada nos anos 90, por motivos extramusicais. O empresário Adam Faith (de muito sucesso na Inglaterra no início dos anos 60) levou Leo Sayer à falência ao investir o que ele faturava em empreendimentos que não deram certo. Mudou de empresário e foi novamente lesado, desta vez em 1 milhão de libras.

Leo Sayer só retomaria a carreira nos anos 2000, com relativo sucesso na Austrália, Singapura e países do Oriente. Durante a pandemia, gravou um álbum que passou despercebido, Selfie, o título, porque ele gravou sozinho. Foi também sozinho que gravou o álbum Northern Songs: Leo Sayer Sings The Beatles, um projeto iniciado em 2020, que chegou às plataformas de música online na semana passada. Reconhecidamente um bom cantor, com um viés para o soul, Leo Sayer reinterpreta canções que fazem parte do cânone da música popular do planeta, regravadas ene vezes, mas consegue lhes dar uma roupagem diferente. A Hard Day’s Night, da fase mais pop dos Beatles vira um rhythm and blues à Van Morrison . O mesmo com Here Comes the Sun, em que também incorpora um Van Morrison.

Não é a primeira vez que Sayer grava Beatles. Fez isto em 1976. Cantou Let it Be, I’m the Walrus e The Long and Winding Road, para a trilha do filme All This and World War II (doc de Susan Winslow). Por sinal uma das melhores trilhas do gênero. O doc também é interessante, imagens da Segunda Guerra Mundial, com música dos Beatles, com Jeff Lynne, Status Quo, Tina Turner, Brian Ferry, entre outros.

Em Northern Songs (nome da antiga editora dos Beatles), Leo Sayer canta 19 canções pinçada da obra do quarteto de Liverpool. É interessante como ele consegue dar uma cara diferente às canções, sem deturpá-las, e ratificando que as composições trazem melodias tão marcantes que se adaptam a qualquer ritmo (no Brasil já foram tocadas em ritmo de choro). Algumas versões deste disco surpreendem, é o caso de Julia, no Album Branco, uma melancólica e cândida canção que John Lennon fez em homenagem à mãe. Com Leo Sayer a música tem beat acelerado, meio disco music, e um ótimo arranjo. Aos 74 anos, Leo Sayer está cantando até melhor do que nos anos 70.

Uma bem resolvida homenagem aos Beatles que, neste 2022, completam 60 da gravação do primeiro disco na EMI.   

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