Bonga, instituição da música lusófona, chega aos 80 anos com um disco de evocações, e tradições angolanas

José Adelino Barceló de Carvalho, ou melhor, Bonga Kwenda, instituição da música angolana, 80 anos em 5 de setembro de 2022, festeja 50 anos de música, contados a partir do álbum Angola 72, com mais um disco, Kintal da Banda. Estava com 30 anos, portanto. Mas não vinha ralando na música até conseguir a oportunidade de gravar. Bonga gostava de música popular, folclórica, angolana, chegou a gravar um disco, mas deixou a carreira em segundo plano, quando se tornou atleta, defendendo as cores do Benfica. Foi vencedor de dezenas de corrida. Só nos 400 metros arrebatou onze medalhas na Europa.

Mas além de atleta, era também a ativista político, tanto pela independência de Angola, quanto contra a ditadura salazarista. Para escapar da Pide, a política do regime, que oferecia uma recompensa por sua cabeça, Bonga Kwenda fugiu para a Holanda, onde recomeçou a carreira artística. O LP de estreia, o citado Angola 72, foi censurado em Portugal e em Angola. Quando Portugal tornou-se uma democracia, ele lançou o álbum Angola 1974, o ano da Revolução dos Cravos.

Nas onze faixas de Kintal da Banda, Bonga canta sembas, mornas (seu primeiro disco foi gravado e produzido por músicos do Cabo Verde), boa parte com letra em quimbundo. Provavelmente pela simbólica idade redonda a que está chegando, as composições têm viés nostálgico, evocando a vida do artista em Angola. Firme defensor das tradições angolanas, Bonga canta também as comidas da região onde nasceu, em Kipiri, na província de Bengo, ao Norte de Luanda. A culinária está na faixa Kudia Kuedo (Nossa Comida), em os comes e bebes da sua terra, em dueto com franco-argelina Carmélia Jordana (o disco foi gravado em Paris).

Carmélia é a única convidada do álbum, em que Bonga se atira com intensidade, voz com timbre mais rouco, cantando suas lembranças de valores. O título Kintal da Banda refere- se aos quintais da sua cidade natal ou como explica ele: “muitos já se esqueceram o que é um quintal e outros nunca tiveram, viveram sempre em prédios de dez andares e sem elevador”.

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