Crônica – Pelos bares por onde não andei

Não sou muito de restaurante. Não me ligo em comidinhas.  Tenho até livros sobre comida, por curiosidade, mas acho que nunca li uma coluna de gastronomia. No tempo em que o Recife permitia boemia, a gente entornava umas, na Sete de Setembro, e partia pra forrar o estômago, no Chambaril de Dona Maria, no Chefia, que era um restaurante meio improvisado na casa de um cara em Santo Amaro, onde serviam frutos do mar, bons e baratos. Também no Bar do Maxixe, no Cordeiro, ou no Azulzinho, no inicio da Brasília Teimosa, para uma restauradora sopa de cabeça de peixe. Havia mais outros de que não me recordo. Teve um tempo, anos 90, em que o Tepan, na Encruzilhada, e o La Gondola (agora Tomaselli), no Espinheiro, eram pontos de músicos da cena de então.

No Tepan aconteceu a célebre manguebriga, entre Otto e Ortinho. Na verdade, um bate-boca acirrado. Ortinho ficou brabo. Rogê acabou com o ensaio de rabo, colocando o caruaruense dentro do caritó, entre os guaiamuns. Ortinho não perdeu tempo. Começou a atirar caranguejo na turma: “Toma mangueboys”, e avoava um crustáceo. Às vezes até penso que eu inventei esta confusão, porque nunca vejo ninguém se lembrar dela.

Mas esta conversa tá mais troncha do que as ocupações do morros e alagados da Veneza Brasileira. Aliás, deu tanta água no Recife, que agora estão chamando Veneza de Recife Italiana. Mas tergiverso. Puxei esta de comida, porque vi, por acaso, no jornal Última Hora, a edição recifense, exemplar de 1962, um notinha sobre alguns lugares onde se comia bem naquela época: “peixada no Maxime, galinha à cabidela em Otília, sarapatel e carne do sertão no Gregório, bacalhoada no Oswaldo, em Água Fria, filé chateaubriand no Leite, churrasco na Mocambo, finalmente, a pizza na Dom Jesus”.

Desses, só conheci o Maxime e Otília (o restaurante Buraco de Otília, na Rua da Aurora), ambos, já mais pra lá do que pra cá derrubados. Estive umas duas vezes em Otília. No Leite fui uma vez, a trabalho, e não provei o tal filé, mas cordeiro. Eis que é domingo, dia em que nunca almoço, só petisco. E aqui por perto, com raras exceções, só dá cardápio regional, carne de sol, linguiça de bode, galeto, tudo na brasa. É muita comida, e comida muito cara, que a inflação tá virada na goitana. Pior que não dá pra saborear uma cerva decente, com a barriga entupida de carnes. Resultado: acabo almoçando cerveja, que também tem sustança.

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