Creem, o jornal musical mais aloprado dos anos 60 e 70, volta a circular, e teve coleção digitalizada

Das publicações importantes sobre cultura pop em geral, a única que nunca havia lido foi a Creem, de Detroit, que circulou de 1969 até 1981. O Creem teve entre suas hostes Dave Marsh, Ed Ward, Greil Marcus, e Lester Bangs, e Cameron Crowe (que trabalhou, ainda adolescente, na Creem). Entre outros feitos, foi no Creem em que se cunhou o termo “punk” e “heavy metal” para designar um estilo musical.

Ao contrário do Rolling Stone, que passou de um jornal porta voz da contracultura dos 60, para um revistão careta, coalhado de anúncios, o Creem chutava o pau da barraca, empregava nos seus textos expressões que o levariam, nos tempos atuais, a cancelamentos nas mídias sociais. Passava distante do politicamente correto. Não por acaso, Charles Bukowski escreveu textos pro jornal. Tampouco havia as brodagens, ou confrarias comuns às redações. No dia em que Lester Bangs cismou de trazer seu cachorro para o trabalho. O bicho fez cocô no meio da redação. Dave Marsh, o editor, colocou a merda do cão sobre a máquina de escrever de Bangs.

Lester Bangs tornou-se famoso por aqui graças ao filme Almost Famous, de Cameron Crowe (2000), mas Dave Marsh foi, e ainda é, um crítico e escritor mais importante, e interessante (Greil Marcus mais ainda). Suas fustigadas em artistas de que não gostava são célebres. Sobre a música We Will Rock You, do Queen, que chamava de marcha marcial, observou que o grupo não queria que as pessoas caíssem sós no rock, a não ser dirigida por eles: “O Queen é a primeira banda verdadeiramente fascista”, classificou. Adjetivava o baterista John Bonham de “incompetente”. Resenhando o álbum Presence : “Parte do problema é a maneira inanimada como a bateria de Bonham foi gravada, porém a maior dificuldade é que ele não consegue manter o tempo”. Por essas e outras, o Led Zeppelin passou um bom tempo sem conceder entrevistas.

 O Creem, que teve seu auge em meados dos anos 70, acabou com a morte do seu fundador Barry Kramer. Neste início de junho de 2022, JJ Kramer, filho de Barry resolveu botar o bloco na rua novamente. O jornal volta em setembro, quinzenal, em edições digital e impressa. A coleção completa digitalizada já está disponível em creem.azurewebsites.net/

ALFINETADAS DA CREEM

Parece que o nosso primeiro e único Jim Morrison, do Doors, foi pego por atentado ao pudor novamente, e está com um fã clube privado de Federais atrás dele e, acreditem, não é pra pedir autógrafo. Desta vez ele se excedeu (…) Não é por quanto tempo você faz, garoto Jimmy, é como e onde você faz.

Jimmy Page é incrível (pena que o resto do Zeppelin não seja)

A senhorita Janis “Southern Confort” Joplin bombou em um recente show em Ann Arbor mas, segundo se noticiou, perdeu a teta esquerda em algum lugar nas proximidades do camarim. Quem o encontrar numa lavanderia, num restaurante chinês, ou algo assim, por favor, devolva-o pelo correio para Jannins, pois ela está sentindo muito sua falta.

Carl Wilson teria dito aos amigos em Los Angeles que os Beach Boys vão lançar o álbum Smile na íntegra, e fevereiro (com outro material gravado na Capitol). Dave Marsh tem dito aos amigos em Detroit e Ann Arbor, que não quer nem pensar em resenhar o disco.

2 comentários em “Creem, o jornal musical mais aloprado dos anos 60 e 70, volta a circular, e teve coleção digitalizada

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  1. Excelente matéria, Teles!

    Por isso que seu site é o melhor do Brasil!!!

    Escreva mais crônicas! Elas divertem, empolgam elevam nosso espírito à altura dos Andes! E elevam a nossa estima mais ainda! O Papa-Figo está sempre presente!!!

    Ou é a minha mente viciada?

    Curtir

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