Edgar Winter monta uma banda de estrelas para homenagear o irmão Johnny Winter

“Também se liguem no guitarrista albino Johnny Winter, a última descoberta do jornal Rolling Stone. Ele tem olhos cor de rosa. Demais”, o comentário foi publicado, em 1969, na revista Creem, uma das mais importante publicações sobre rock e música em geral dos EUA, no século 20.

Johnny Winter, um dos grandes nomes do rock e do blues, nas décadas de 60 e 70, teve uma trajetória bem clichê. Talento precoce, aos 15 anos já era reconhecido, no Texas, pela sua perícia no instrumento. Sua carreira continuou paroquial até 1968. Mike Bloomfield, guitarrista do início da fase elétrica de Bob Dylan, o conheceu em Chicago, e o convidou para participar de um show seu com o organista Al Kooper, no Fillmore East, em Nova Iorque. O pessoal da CBS estava no show, deslumbrou-se com Johnny Winter, e o contratou com o maior adiantamento já pago a um músico popular até aquela época: 600 mil dólares.

Certamente o fato de ser albino contribuiu para Johnny Winter tornar-se uma sensação imediata nos EUA. Ainda mais porque da banda dele participava seu irmão, Edgar Winter, igualmente albino. Os dois foram atração do festival de Woodstock, em 1969, embora não tenham figurado no documentário, nem no álbum triplo com a música do mais emblemático evento da Era de Aquarius. Embora Johnny fosse bem mais badalado, da turma de Janis Joplin e Jim Morrison, quem estourou nas paradas dos EUA e Europa foi Edgar Winter com Frankenstein e Free Ride, em 1973.
Johnny Winter morreu em 2014, aos 70 anos. Edgar Winter continuou a carreira solo, e integra já há alguns anos a All-Starr Band, de Ringo Starr (esteve com o ex-baterista dos Beatles aqui no Recife, no Classic Hall, em 2011). Quando o irmão faleceu, Edgar recebeu convites para gravar um tributo a Johnny Winter. Não aceitou. Este ano, decidiu que faria o tal tributo. Copiou a ideia do patrão baterista, e formou sua “all-star band” para gravar o álbum.

Brother Johnny foi uma sugestão de Monique, mulher de Edgar, que o incentivou a fazer o disco, lançado em abril, com selo da Quarto Valley Records. Com Edgar estão, entre outros,  Joe Walsh, Ringo Starr, Derek Trucks, Billy Gibbons, Steve Lukather, Michael McDonald e Joe Bonamassa. São 17 faixas interpretadas com, quase, a mesma energia que Johnny Winter.

Aos 75 anos, Edgar Winter está ainda mais rouco, o que cai bem no blues. Muito boa sua interpretação de Mean Town Blues, assinatura musical de Johnny Winter, com a guitarra de Joe Bonamassa. O repertório é uma espécie de “Maiores Sucessos”, o set-list de Johnny Winter. Como Edgar tocou com o irmão boa parte de sua vida, e alguns dos guitarristas que estão no disco foram influenciados por Johnny, o disco funciona bem. E sai do clichê do blues como uma sofrência americana. Brother Johnny é pra cima, suingado. Uma festa.  

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