Crônica – Um colchão pra ninguém botar defeito, com garantia de 25 anos

Nunca imaginei em escrever uma crônica sobre colchão, muito menos que leria uma artigo de 17 páginas sobre o dito cujo, feito o fiz hoje na revista americana New Yorker. Quem assina é uma moça chamada Patrícia Marx, que não se trata da cantora brasileira, muito menos parente de Karl, o do comunismo. Aliás, ela está mais para os irmãos Marx, seu texto é engraçado. Além de redatora da New Yorker, Patricia Marx é e professora na universidade de Columbia.

Patricia inicia o artigo que nos tempos atuais não qualquer um que sabe comprar colchão, definido por um dicionário online, que consultei agorinha como: “Grande coxim basteado, cheio de lã, penas ou outra substância flexível, que na cama se coloca por cima do estrado”. Definição simplória. Colchões sofisticaram-se de tal maneira que, segundo Patrícia, pra se comprar um é preciso ter um PHD em química, e entender de engenharia mecânica. Ela procurou na Internet pelo grande coxim basteado, e boquiabriu-se com a variedade dos preços. Não apenas com a variedade mas igualmente pelos valores que um colchão pode alcançar.

Um da marca batizado de Zinus Green Tea Cooling Swirl Memory Foam Hybrid (sinceramente, não sei como traduzir pra tornar o nome inteligível em português) custa 379 dólares, perto de dois mil paus reais. Achando meio carinho, ela conferiu o mostruário de outra loja. Aí em média custavam 5 mil dólares. Um da marca Intellibed sai por 5.799 dólares, algo em torno de 30 mil reais. Caro? Mais ou menos.

Na loja Hästens vendem-se colchões que, estes sim, se podem chamar de excessivamente custosos. Um da marca Grand Vividus não sai por menos de 539 mil dólares. Pelo câmbio de hoje, 2 milhões 824 mil reais. O preço alto por conta da inflação americana. Quando o rapper Drake comprou o dele, em 2020, pagou tão somente 400 mil dólares, dois milhões e cem mil reais. O que nós, vis, e lisos, mortais usamos têm recheio trivial. O Grand Vivious é recheado com, entre outros materiais, aço (para as molas), linho, lã, algodão, e uma dúzia, ou mais, de camadas de crinas da cauda de cavalos sul-americanos, que auxiliam na ventilação interna do colchão. Deve ser por isto que tem lista de espera pra comprar um.

Quem adquirir um Grand Vividus, recebe, de quando em vez, a visita de dois “doutores do sono”. Eles não vêm cuidar do comprador, mas da compra. Fazem umas massagens no colchão, para deixa-lo em forma. Claro, o Grand Vividus tem prazo de garantia generoso: 25 anos. Um alerta: se algum de vocês comprar um desses colchões, é bom não ter cachorro em casa. Tendo, impeça que entre no quarto. O fabricante não repõe colchão estraçalhado pelo pet.

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