Jazz Samba, disco de Charlie Byrd e Stan Getz, que detonou a bossa nova nos EUA, há 60 anos, é regravado na íntegra

A febre da bossa nova nos Estados Unidos não foi impulsionada pelo histórico, e bagunçado, concerto no Carnegie Hall, em 21 de novembro de 1962. Meses antes, em abril daquele ano, o saxofonista Stan Getz e o violonista Charlie Byrd lançaram o álbum Jazz Samba (MGM/Verve) que disseminaria o samba cool pelo país. Não foram pioneiros entre os música americanos a reconhecer as qualidades da BN. Foram os primeiros e emplacar nas paradas com ela. Jazz Bossa foi o único disco de jazz a alcançar um primeiro lugar no paradão pop da revista Billboard e, em um ano e meio venderia um milhão de cópias. Jazz Samba permaneceu nas paradas durante 77 semanas. A título de curiosidade, o álbum foi gravado, em 6 de fevereiro de 1962, numa sessão de 50 minutos. Cada faixa concluída em um único take.

Celebrando os 60 anos do álbum, o violonista Nate Najar regravou Jazz Samba na íntegra, intitulado seu disco de Jazz Samba pra Sempre. Najar interpreta as sete canções usando dois violões, um Di Giorgio, de 1963, e uma Ramirez 1 A, de 1974, que pertenceu a Charlie Byrd. Com ele tocam no disco, Jeff Rupert (sax), Patrick Benson (no teclado Rhodes), Herman Burney (baixo, o mesmo instrumento com que Ketter Betts tocou no disco original), Chuck Redd (baterista, que tocou com Charlie Byrd), Alvon Griff (percussão), e a cantora brasileira Daniela Soledade voz, em O Pato e Luxo Só . Ela é carioca, mora no Rio, e é neta do compositor Paulo Soledade, compositor de primeira linha, parceiro de Vinicius de Moraes, e cuja música mais conhecida é a marcha-rancho Estão Voltando as Flores (lançada por Helena de Lima em 1961)

Nate Najar procurou se aproximar o máximo possível de Samba Jazz, até na capa, eu tem arte, assinada por Olga Albizu, muito semelhante ao álbum original, mas não uma cópia.

Nate Najar, que mora na Flórida, foi mais que influenciado por Charlie Byrd. Sua relação com o ídolo é praticamente um roteiro de um doc. Nos anos 90, o ainda muito jovem Najar passou a visitar Washington D.C onde Charlie Byrd morou (faleceu em 1999), e procurou conhecer pessoas que foram amigas dele. Numa dessas vezes adquiriu o violão que pertenceu a Byrd, de outra feita comprou o baixo tocado na sessão de Jazz Samba.

Mas não é por Jazz Samba ter cumprido um papel essencial na sua formação que Najar se limite simplesmente a emular a sonoridade a que chegaram Stan Getz e Charlie Byrd em 1962. Procura pegar o espírito da coisa, mas tornando-o contemporâneo. O piano Rhodes, de Patrick Benson, contribui muito pra isto, assim como Daniela Soledade, que tem uma voz deliciosa, e reinventa O Pato, de Jaime Silva e Neusa Teixeira, alvo dos adversários da bossa nova, ao criticar João Gilberto por canta uma música para crianças. Sem se lembrar de que John Coltrane, guardado os devidos parâmetros, fez algo parecido com My Favorites Things, canção juvenil, mas de estrutura sofisticada de Rodgers & Hammerstein, da trilha de The Sound of Music (aqui com o título idiota de A Noviça Rebelde, 1965).  

As faixas com Soledade, com Nate Naja e Jeff Rupert, lembram às de Astrud Gilberto, com João Gilberto e Stan Getz, no álbum Getz/Gilberto (1964). Jazz Samba para Sempre é o 14º disco do virtuoso Nate Najar, e faz jus ao álbum que o inspirou. Ele finalmente homenageou seu mestre tocando o repertório do antológico Jazz Samba, à sua maneira, e de uma foram que Charlie Byrd aprovaria.

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