Eric Clapton renegado por antigos admiradores, ratifica que há poucos guitarristas iguais a ele em álbum dedicado ao blues

Eric Clapton tem sido demonizado pelo negativismo, e extremismos expressados durante a pandemia. Amigos afastaram-se, perdeu muitos admiradores, mas não o talento.  O que ratifica o álbum Nothing But The Blues, trilha de documentário homônimo, O disco traz uma hora e dezesseis minutos de música, ao vivo, registrada em 1994, na turnê do disco From the Cradle. Traz 17 blues pinçados de diversos shows da excursão de um de seus discos solo mais bem sucedidos.

A geração de Clapton, nascida durante a II Guerra, ou logo depois dela, tinha tudo para abraçar o blues. Não é por acaso que muitos dos roqueiros ingleses dos anos 60 são baixinho e raquíticos. Foram crianças mal alimentadas, os pais compravam alimentação com cupons, as proteínas eram racionadas numa Inglaterra em escombros, provocados pelas bombas alemãs. Muitos eram órfãos de pai. Eric Clapton, nascido no ano e que o conflito terminou, nem conheceu o pai. Até o início da adolescência imaginava que a mãe fosse sua irmã.

Mais tarde a paixão pela mulher do melhor amigo o levou à heroína, e a sua melhor canção, Layla, inspirada em Patti Boyd, mulher de George Harrison, com quem depois se casou, em 1979. Em 1989, divorciaram-se. Em 1991, o filho, de cinco anos,  Conor Clapton caiu do 50º andar do prédio em que morava, em Manhattan, com a segunda mulher, Lory Del Santo. Em 1994, Clapton tinha razões de sobra para exorcizar seus demônios no blues. E o faz com exuberância já na abertura deste álbum, com a acachapante introdução de Blues All Day Long, de Jimmie Rodgers. Ou Malted Milk, de Robert Johnson, e standards do gênero.

É difícil perdoá-lo pela manifestação racista de Clapton em 1976, num show em Birmingham, Inglaterra, contra os imigrantes africanos e caribenhos de antigas colônias britânicas. Nesta época ele estourou com I Shot the Sheriff, do caribenho Bob Marley, e fez sua carreira inteira em cima da música dos blues, a música dos afro-americanos, um dos quais foi pra ele o pai que não conheceu, o genial Muddy Waters. Vá entender a cabeça do cara. Mas de boca fechada, tocando guitarra, tem poucos feito ele neste planeta.

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