Almério e Martins ao vivo, em registro de show que abalou o velho Teatro do Parque

Almério e Martins, dois talentos da nova geração da música pernambucana, são astros típicos desta época. As apresentações que fizeram em novembro de 2021, no Teatro do Parque, no Recife, tiveram ingressos esgotados. Praticamente sem tocar no rádio (que é um veículo ainda com muita força), ficaram conhecidos basicamente de shows. O grande público do estado desconhece os dois. O que nem é de se estranhar. Afinal, até os tempos atuais a música de Chico Science & Nação Zumbi quase não toca em Pernambuco. Décadas atrás o irlandês Van Morrison, de poucos sucessos internacionais, previu este comportamento atual, ao afirmar que é melhor ser cult do que emplacar hits nas paradas. Cult é para sempre, popularidade passa com o tempo.

Para seu público certo, sabido e fiel, Almério e Martins lançaram nas plataformas de música digital o álbum com o registro do show no Teatro do Parque, com direção musical do ubíquo Juliano Holanda e direção artística de André Brasileiro. O acompanhamento ficou por conta de Juliano (violões e guitarras) e de Roger Victor (baixo).  Almério e Martins ao Vivo no Parque (Deck) abre com uma reverência a dois artistas pernambucanos, de gerações anteriores, pelas quais ambos foram influenciados: Lula Queiroga e Alceu Valença. Do primeiro, a letra (declamada) de O Habitat da Felicidade (do álbum Aboiando a Vaca Mecânica, 2001), do segundo, Anjo de Fogo (de Espelho Cristalino, 1977).

Almério e Martins integram o coletivo Reverbo, um grupo de intérpretes, autores, músicos que compartilham a mesma estética musical, contemporânea, mas com os dois elementos básicos do que se convencionou chamar de MPB, melodias e letras elaboradas, mas enveredando por outros universos, feito na faixa Rock do Ofício (Geraldo Maia/Everardo Norões, do álbum Avie, 2015), emoldurada por solos de guitarras, o que também acontece em Tatoo de Melancia (Almério) Quando a dupla canta Amor Estou Sofrendo (Martins), palmas e gritinhos da plateia formam a coda da música. A faixa seguinte Segredo (Isabela Morais) é cantada em coro pela plateia.

Casam-se bem a voz intimista de Martins, com o vozeirão desinibido de Almério. Opostos que se atraem, a cumplicidade entre dois vem já de longas datas. Almério foi o primeiro a gravar uma composição de Martins, a apresentação em dupla reafirma a amizade, com a conivência de Juliano de Holanda, maestro do Reverbo, que assina com Almério a única faixa inédita do álbum Tapa na Cara: “Que é mais revolta e resistência sobre sobreviver num Brasil caótico e desgovernado”, comenta Almério sobre a música, que se aproxima da letra incisiva da citada Rock do Ofício. Um show bem roteirizado, que fecha com duas canções para ouriçar a plateia, já ouriçada, Queria Ter pra Te Dar (Almério) e Me Dê (Martins), esta última sucesso no carnaval de Olinda desde antes da pandemia. A galera, claro, solta a voz.

Almério e Martins continuam pelos palcos com este show, que apresentam, neste sábado, 23 de julho, na Casa Natura, em São Paulo, e terça-feira, no Teatro João Caetano, no Rio. A dupla volta a se apresentar no recife, provavelmente, em novembro.

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