Soulfly tem seu world metal reunido numa caixa com os quatro primeiros discos, lançados entre 1998 e 2004

Os recentes, e provincianos, laivos de orgulho com o primeiro lugar de Anitta, na parada global da Billboard (na qual permaneceu por pouquíssimo tempo), só ratifica o desconhecimento, ou esquecimento dos artistas brasileiros da música popular que realmente emplacaram lá fora. Depois de Carmem Miranda, só a baiana Astrud Gilberto que, em 1964, derrubou os Beatles do primeiro lugar das paradas americanas. Em 1991, em minha viagem de estreia à Europa, todas as lojas de discos havia cartazes, camisetas, o escambau do Sepultura, o grupo que, até os tempos atuais, é um dos maiores nomes do metal do mundo (tocou no FIG 2022).

Assim, com este status, foi surpresa, pelo menos para os que não conviviam no círculo íntimo da banda, a saída de Max Cavalera do Sepultura em 1996. Ele e o irmão, Igor, fundaram o grupo em 1984, em Belo Horizonte (com Paulo Jr, e Wagner Lamounier). Logo se destacariam na ainda emergente cena metal brasileira. Em 1987, o Sepultura se apresentou em Caruaru, o primeiro show em Pernambuco, e também a estreia do novo guitarrista, Andreas Kisser.

A ligação com Pernambuco não ficaria por aí. Depois da defecção do grupo, Max Cavalera matutava sobre qual caminho seguir, e encetou conversas com Chico Science para um projeto paralelo, o Sebosa Soul. Com a morte de Science, em fevereiro de 1997, Cavalera criaria o Soulfly com influências da alquimia de música de raiz, que levou o Chico Science & Nação Zumbi à fama e, claro o álbum Roots, o último que gravou com o Sepultura, que tem a participação de Carlinhos Brown, música dos índios Xavantes, muita percussão, e introduziu o berimbau no HM. Metal antropofágico. Um disco considerado um dos mais importantes dos anos 90.

Em 1998, aconteceu a estreia do Soulfly, com participação de Lúcio Maia, do Nação Zumbi (que recusou o convite de Max para integrar o grupo), Fear Factory, Deftones e Limp Bizkit. Max Cavalera continuou de onde parou com o Sepultura. Os discos seguintes do Soulfly seguem, mais ou menos, a linha de Roots, porém estendendo-se para sonoridades de países como a Sérvia ou Turquia.

CAIXA

The Song Remains Insane, faixa do álbum inicial da Soulfly (também título de DVD) batiza a caixa recém-lançada com a discografia completa inicial do grupo, mais um álbum bônus. The Song Remains Insane – The Studio Albuns – 1998 to 2004, reúne os quatro primeiros disco do Soul Fly, mais um de raridades, remixes etc. A caixa está disponível em 5 CDs ou 8 LPs. Max nessa época já era uma lenda no universo do metal pesado, e emplacou também na carreira solo. O peso do som do Soulfly é páreo para o das melhores bandas do gênero, com a originalidade da ousadia “world metal”. No disco de1998, uma surpreendente versão de Ponta de Lança Africano (Umbabarauma), versão turbinada de um clássico de Jorge Ben. Max Cavalera é um dos mais inventivos músicos brasileiro, mas subestimado, certamente pelo estilo musical que abraçou.     

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