Elvis Presley, nos 45 anos de morte, voltará a ser ídolo para a geração nascida no século 21?

É pouco provável que a cinebio Elvis tenha igual efeito que o de Bohemian Rhapsody para impulsionar o Queen nas plataformas digitais, e a adesão de um imenso contingente de pessoas muito jovens ao grupo inglês, incensando o mito Freddie Mercury. Sem querer comparar laranja com abacate, Elvis foi o mais influente músico dos anos 50, como os Beatles foram na década seguinte.

Quando ao filme Elvis, periga até que a geração conectada parta pra enquadrar o Rei do Rock como grileiro cultural, tendo em vista que muito do seu repertório de início de carreira é de regravações de canções compostas ou gravadas por negros. Já se questiona que ele não teria sido o primeiro roqueiro. Feito que muita gente atribui a Sister Rosetta Tharpe, o que é discutível. Memphis Minnie se apresentava cantando e acompanhando-se com a guitarra elétrica na mesma época, ou antes da suposta criadora do rock.

O gênero tal como o conhecemos vem de Elvis, que imprimiu sua marca pessoal às músicas já gravadas, algumas antes mesmo de ele nascer. Como quase todos os movimentos, se é rock and roll chegou a ser movimento, o batismo veio de alguém que nem era músico, no caso, radialista Alan Freed que teria sido o primeiro a chamar o novo estilo de blues e rhythm and blues de rock ‘n’ roll.

Mal comparando o rock está para o blues e rhythm blues assim como a bossa nova para o samba. Pois é, a bossa nova é o samba com uma batida e interpretação diferentes. A rigor o rock apenas é a música de negros e de brancos (do country and western), com outra nomenclatura. Hound Dog, com que Elvis estourou, em 1956, de costa a costa, já na RCA, foi um grande hit de Big Mama Thornton, que a gravou em 1952. A título de curiosidade, Good Night Irene, gravada pelo blueseiro e cantor folk Huddy Leadbelly, um ex-presidiário, descoberto pelo folclorista Alan Lomax, foi um dos primeiros hits de Wanderléa, em 1965, rebatizado de Boa Noite, meu Bem.

Um dos maiores sucessos de Elvis Presley, quando deu baixa do Exército, em 1960, foi Are You Lonesome Tonight? (Lou Handman/Roy Turk), composta em 1926 (Elvis é de 1935), gravada em 1927 por Charles Hart, cantor de teatro de variedades. Receberia diversas regravações durante aquela década e na seguinte. O trecho falado na introdução da gravação de Charles Hart foi pinçado do libreto da ópera Pagliacci (Palhaço), de Ruggero Leoncavallo (1857/1919), a gravação original é também meio operística e teatral.

Em sua interpretação Elvis torna a canção contemporânea, uma balada romântica, com a fala fazendo a ponte entre a primeira e segunda partes. Are You Lonesome Tonight? foi sugerida ao cantor pelo empresário Tom Parker. Depois de dois takes, Elvis explodiu. Pediu que jogassem as gravações fora, não estavam à altura da canção. O produtor Steve Sholes pediu que tentasse mais uma vez. A terceira e última gravação é que a foi lançada em disco.

Are You Lonesome Tonight? Foi gravada em abril, mas os executivos da RCA seguraram a música, talvez não fosse aquilo que os fãs esperavam do Rei do Rock, uma balada dos anos 20. Só lançaram em novembro num compacto. Foi uma dos maiores sucessos de Elvis nos anos 60. Neste 16 de agosto de 2022 é o aniversário de 45 anos de morte do cantor que, segundo o rolling stone Keith Richards, tornou colorido o planeta, até então em preto & branco.

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