Blondie ganha caixa retrospectiva que realça a inovação do grupo que fazia punk, pop e disco

Blondie: Against The Odds 1974-1982 (UMG Recordings), pega o gancho dos 40 anos do fim da banda de Debbie Harry, Chris Stein e cia em 1982 (voltariam em 1999). A caixa contém a discografia da primeira fase da Blondie, seis álbuns turbinados, 124 faixas, 36 inéditas (ao menos oficialmente) pinçadas do volumoso arquivo de Stein, que acumula material para várias caixas.

O grupo nasceu do Stilletoes, um trio feminino, formado no ano anterior no qual Chris Stein entrou em 1974. Pouco tempos depois, ele e Debbie tornaram-se namorados, e resolveram sair do Stilletoes e formar uma banda a Angel and the Snake, com as irmães Tish e Snooky Bellomo, nos vocais de apoio. A plateia pegava no pé de Debbie Harry pelos cabelos tingidos de louro, chamando-a de Blondie (Lourinha), adotado como o nome da banda.

O grupo entrou em cena quando a música pop trilhava caminhos diferentes, mas que convergiam para bares como o CBGB ou o Max’s Kansas City, que abrigava tanto os punks quanto o pessoal do pop. Debbie Harry foi garçonete do Max’s Kansas City, e de um Clube da Playboy. . Quando a Blondie estreou, com um álbum epônimo, em 1976, surgia mais um subgênero na cidade, a música disco. O trunfo, e triunfo, da banda foi abarcar todos os caminhos sonoros de uma Nova Iorque em efervescência musical.

Blondie, o disco, não aconteceu. Debbie Harry comprou os direitos do álbum inicial da banda a Private Stock Rock Records. A Crysalis Records contratou a Blondie e relançou o primeiro disco do grupo em 1977, com uma divulgação reforçada, e razoável número de críticas favoráveis, inclusive do imprevisível Lester Bangs:

“Todos os meus amigos diziam que era perda de tempo, mas eu achei o primeiro álbum deles charmoso, até mesmo uma inspirada peça do rock and roll americano, com tradições tão diversas quanto os antigos grupo vocais de garotas, dos anos 60, Question Mark and The Mysterians e The Velvet Underground. Assim com o título de Blondie Is More Fun (N – Lourinha É Mais Diversão, paráfrase da frase americana “as louras se divertem mais) fiz uma resenha super favorável, naqueles dias em que todo mundo, com exceção dos Ramones, e os Dictators, levavam-se muito a sério”, parágrafo inicial do livro Blondie by Lester Bangs, de 1980.

A Blondie extrapolou os limites de Nova Iorque no segundo disco, Plastic Letter, que emplacou também na Inglaterra, mas ainda um sucesso moderado. Nos EUA, Inglaterra e Austrália. Parallel Lines impulsionou a Blondie para o planeta. Heart of Glass, meio punk, meio discoteque, escalou as paradas em dezenas de países. O álbum vendeu 20 milhões de cópias. Curioso é que Heart of Glass, uma das canções mais influentes de 1979, fora composta no início dos anos 70, mas Debbie Harry não lhe deu maior atenção. Quando o grupo mostrou as canção de Parallel Lines ao produtor Mike Chapman, ele não pareceu muito entusiasmado. Perguntou se tinham mais alguma música para apresentar. Debbie trouxe a fita com Heart of Glass.

Provavelmente a canção se tornou um megahit pela roupagem que lhe deu Mike Chapman, um midas do sucesso, um pouco de Bee Gees e tanto de Kraftwerk, e Giorgio Moroder, que mais tarde produziria a Blondie em 1980, a canção Call Me, que entrou na trilha de American Gigolo, de Paul Schrader. O grupo terminou em 1982, mas Debbie Harry já estava equipada com luz própria, e continuou bem sucedida em carreira solo. Os demais integrantes, incluindo Chris Stein, continuavam ilustres desconhecidos.

A caixa, que já está disponível no Spotfy, como todas as caixas, peca pelo excesso. Deve-se escutar aos poucos, disco a disco. Claro, os fãs de carteirinhas vão devorar todo conteúdo. Ouvindo, os álbuns sem ordem cronológica constata-se que a banda da Lourinha não ficou datada, e ainda é muito divertida.

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